Freiras encontram felicidade na clausura
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sábado, 26 de julho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Simone GirotoGanho extraIrmãs trabalham na confecção de velas e na pintura de paramentos (vestuário para padres) Passar cerca de sete horas por dia fazendo orações, conversar por apenas duas horas e só poder sair do convento em casos excepcionais como consultas médicas, odontológicas e para votar. Essa é a vida das freiras do Mosteiro de Nossa Senhora do Carmo, de Campo Mourão, um dos três únicos retiros das irmãs carmelitas no Paraná - os outros dois ficam em Curitiba e Céu Azul (Oeste).
Poderia ter procurado outras coisas boas como ter uma família, mas preferi amar só Jesus, conta a irmã superiora do mosteiro, Luíza Maria do Coração Eucarístico, 64 anos. Ela ingressou na Ordem dos Carmelitas em 20 de dezembro de 1950, quando tinha 17 anos, em Porto Alegre. Só saiu de lá 37 anos depois, para assumir o mosteiro de Campo Mourão, em 14 de dezembro de 1987.
Apesar de estar há 10 anos em Campo Mourão, irmã Luíza poucas vezes esteve na cidade. Só saímos quando há necessidade, conta. Às vezes, elas chegam a ficar meses sem sair do mosteiro, que fica às margens da BR-369 (Campo Mourão-Cascavel), a cerca de 4 km do centro.
Missas diárias Não há visitas nem à Catedral São José, onde irmã Luíza só esteve uma ou duas vezes quando chegou à cidade. As orações que são feitas todos os dias acontecem numa sala ao lado da capela. A cruz no alto da capela é tudo o que pode ser visto por quem passa pela rodovia em frente ao mosteiro. Um muro com um portão metálico encobre o resto. Há, no entanto, missas diárias rezadas por padres da cidade e abertas à comunidade.
Depois que entram na Ordem, as freiras não podem mais visitar a família. A única exceção é feita aos pais idosos que não possam mais andar ou aos pais muito doentes. Nos demais casos, são os familiares que têm que ir até o mosteiro. É só assim, por exemplo, que a irmã Luíza vê seus 10 irmãos. A visita deve ser feita em horários apropriados, para não atrapalhar as orações. Irmã Luíza atendeu a Folha no horário reservado aos trabalhos manuais.
Renda Das 8h30 às 11 horas e das 15 às 17 horas as freiras confeccionam velas e fazem pintura de paramentos (vestuários usados pelos padres). Os trabalhos são feitos sob encomenda e garantem parte da renda do mosteiro. O restante vem de doações de pessoas que visitam o convento e de doações de parentes das freiras.
Recreio No dia-a-dia das irmãs, a conversa deve ser evitada. A fala é liberada somente nos horários de recreio (das 13 às 14 horas e das 19 às 20 horas). São nesses horários que brincamos e conversamos, diz irmã Luíza. Sempre temos o que conversar. As orações mudam de acordo com o dia e com a época do ano. As refeições são comuns, não seguindo nenhuma dieta. Ela é um pouco melhor nos dias de festas, frisa a irmã.
Estudar é uma tarefa complicada para as irmãs. Elas não podem frequentar uma sala de aula comum. A solução é fazer cursos por correspondência ou levar professores até o convento. Sempre que precisamos, conseguimos que professores viessem até nós, conta a irmã. Nossa primeira preocupação, no entanto, tem que ser o ensino religioso. Uma das irmãs do mosteiro dá aulas de música.
O mosteiro tem duas salas para visitas. Nelas, as irmãs ficam separadas dos visitantes por uma grade de ferro. Há uma pequena abertura na grade para o repasse de objetos, como os ornamentos manuais feitos pelas irmãs. Irmã Luíza pede que os interessados marquem horário para as visitas. O telefone do mosteiro é (044) 823-5427.


