Freiras discutem educação em Curitiba
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quarta-feira, 11 de outubro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
Na década de 70, as meninas puderam trocar as comportadas saias na altura dos joelhos pelas calças de uniforme. Nos anos 80, a entrada de meninos começou a ser permitida. Hoje a relação entre as irmãs e os alunos está muito próxima, disse a irmã Marinês Umbelina da Silva, uma das testemunhas das iniciativas das instituições católicas para não engrossar a barreira entre tradição religiosa e modernidade.
Marinês é professora do ensino médio do Colégio Imaculada Conceição que no próximo mês completa 100 anos de fundação. Como parte das celebrações da data, o Centro Integrado de Educação Sagrado Coração (Ciesc) está promovendo durante esta semana, em Curitiba, um Congresso Latino Americano Sagrado Coração.
A assessora de educação do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, Valdeci Valentin, considera a modernização dos colégios católicos uma resposta natural às exigências dos alunos. As instituições estão sempre abertas às transformações na sociedade, esclareceu.
A tolerância crescente das escolas mantidas por padres e freiras também está refletida no perfil dos alunos. Segundo dados Ciesc entidade mantenedora de dez escolas católicas no Paraná e no Rio Grande do Sul , uma média de 20% dos 8 mil alunos matriculados nessas instituições são de outras religiões.
Nem sempre as instituições consideraram bem-vindas as misturas de crenças nas salas de aula. As irmãs perguntavam a cada uma das alunas qual era a religião do pai. Tínhamos que responder Católico Apostólico Romano para ganharmos uma medalhinha, lembra Márcia Assad, diretora de uma pré-escola em Curitiba. Márcia estudou no colégio Sagrado Coração de Jesus durante as décadas de 60 e 70. Hoje várias crianças judias saem da minha escola para estudar no Sagrado ou no Bom Jesus, completa.
As mudanças de hábito na educação religiosa, no entanto, não foram suficientes para derrubar todas as diferenças entre colégios leigos e católicos: os alunos comandados por padres e freiras ainda não podem dar inícios aos estudos sem antes fazer uma oração; as salas de aula ficam todas a poucos metros de uma capela; a maior proximidade entre alunos e irmãs não destruiu a forte hierarquia que mitifica a imagem da madre superiora.


