Uma freira vicentina de quase 70 anos conseguiu retirar meninos e meninas das ruas de Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama). Há oito anos, a freira Benigna Nazar acolhe todas as crianças carentes da cidade. Sob a proteção da irmã elas voltam a frequentar a escola, aprendem uma profissão e arrumam emprego. Na medida do possível, a irmã Benigna ajuda também as famílias das crianças e todas as pessoas carentes que a procuram.
Através do empenho de Irmã Benigna, Cianorte tem uma instituição que atende 442 crianças e adolescentes de sete a 17 anos. São 262 na sede e 180 no distrito de Vidigal. A associação beneficente Rainha da Paz tem instalações próprias e sobrevive basicamente de contribuições da comunidade. A única verba pública que recebe são R$ 5 mil repassados todo mês pela prefeitura.
As crianças passam meio período na escola e outro período ficam na Rainha da Paz. Adolescentes que estudam à noite passam o dia lá. A entidade tem salas para reforço escolar, e para atividades artísticas e recreativas, 11 oficinas profissionalizantes, estufa de flores, horta, fábrica de adubo orgânico e quadras de esportes.
Os menores escolhem o que querem fazer e aprender. Filho de operários, Luiz Henrique Pereira Dias, 12 anos, frequenta as aulas de informática e está fascinado com o computador que nunca tinha visto antes. Com um dom especial para a poesia, Elisiani Lino da Silva, 14 anos, também curte as aulas de informática.
As crianças também têm à disposição cursos de datilografia, costura, serigrafia, artesanato, marcenaria, selaria, horta e floricultura. Tudo é aproveitado e as atividades são direcionadas a ensinar as crianças a gerar renda. Tudo que é produzido é vendido e revertido em pról da entidade.
Irmã Benigna não faz distinção nenhuma. Abriga desde crianças, cujas mães trabalham fora e não encontram vagas em creche até menores infratores encaminhados pela Vara da Infância e Juventude. Quase 2,5 mil crianças já passaram pela instituição.
O trabalho começou há oito anos, quando Benigna decidiu reunir na casa das irmãs um grupo de menores infratores para tentar mudar o comportamento deles. No início, a irmã apenas reunia o grupinho para dar conselhos e palestras. Depois ela foi às rádios e pediu ajuda da comunidade. No dia seguinte, estacionou um caminhão com equipamentos de marcenaria que até hoje ela não sabe quem doou.

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