A irmã Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, deixou ontem o Hospital Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, e voltou para a carceragem da 14ª Subdivisão Policial. Anilse foi presa no dia 23, acusada pelo Ministério Público de intermediar adoções feitas de forma irregular, coagir testemunhas, falsificar documentos e maltratar crianças. Um dia depois da prisão, ela sentiu-se mal e foi levada ao hospital onde permaneceu até ontem, vigiada por policiais militares.
Na carceragem, a religiosa foi acomodada em uma cela onde ficará sozinha. A cela tem banheiro e um colchão no chão, mas atendendo a pedido médico, o carcereiro Ivonei Fiuza disse que estava sendo providenciada uma cama para acomodar melhor a religiosa. Segundo ele, Anilse só poderá receber visitas de parentes de primeiro grau aos sábados, das 9 horas às 16 horas.
O médico que cuida dela, Edson Carlos Crema, informou que a freira continuará recebendo cuidados médicos na carceragem da 14ª Subdivisão Policial. Anilse está tomando medicação para a circulação sanguínea – ela sofre de insuficiência venosa crônica – e coração.
Por telefone, Anilse Bianchini conversou com a reportagem da Folha antes de deixar o hospital. Ela disse que acredita que terá condições de depor em juízo na terça-feira que vem, dia 10. ‘‘Apesar de toda a tensão, estou me sentindo melhor’’, afirmou.
A freira se mostra muito ressentida com o trabalho da imprensa. Disse que muitos veículos de comunicação estão distorcendo os fatos. Por isso, se nega a falar sobre as acusações. ‘‘Ninguém conhece a história inteira e ficam falando do que não sabem’’, queixou-se. ‘‘Quando eu resolver falar, vou escolher alguns canais de TV e alguns jornais que considero sérios’’, disparou.
Ela sente-se vítima e diz ainda que o fato de ser uma religiosa não dá à imprensa o direito de ‘‘massacrá-la’’. E usa um provérbio para classificar a atitude dos veículos de comunicação no seu caso. ‘‘Língua sem carne quebra ossos. É isso que estão fazendo comigo’’, reclama.
Até o fim da tarde de ontem, a juíza Flávia da Costa Vianna Teixeira não havia se manifestado sobre o pedido de relaxamento de prisão, feita pelo advogado de irmã Anilse, Miguel Nicolau Júnior, na manhã de segunda-feira.

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