Freira é condenada por torturar crianças
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba A condenação da freira Anilse Terezinha Bianchini a 16 anos de prisão, pela 1 Vara Criminal de Guarapuava, em março deste ano, ficou à margem da opinião pública paranaense. O caso só foi divulgado semana passada pelo Ministério Público (MP) estadual, que pretende derrubar a apelação apresentada pela defesa da freira, junto ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, na tentativa de reverter a decisão.
A religiosa é acusada de torturar crianças e submetê-las a vexame e constrangimento, na época em que administrava a Creche Santa Terezinha, em Guarapuava, além de intermediar adoções ilegais e de coagir testemunhas. Anilse chegou a ser presa, em junho de 2001, com base em denúncias apresentadas pelo MP, mas, atualmente, responde o processo em liberdade. Outras sete pessoas foram denunciadas, no entanto, os processos foram separados e apenas o da freira teve condenação.
De acordo com o MP, Anilse que era coordenadora das creches municipais e de um albergue noturno teria entregue três recém-nascidos para adoção por casais, sem conhecimento ou aprovação do Poder Judiciário. Além disso, ela teria submetido crianças da creche a tortura. Os três casos relatados na denúncia referem-se à surra severa, um caso em que ela teria amarrado a boca e as mãos de uma criança e outro em que teria colocado um sapato na boca de outro menino. Ela também teria submetido outras crianças a constrangimentos e ameaças. A mulher ainda teria coagido testemunha a não falar durante as investigações realizadas pelo MP.
A Folha apurou na ocasião que Anilse começou a ser investigada em maio de 2001, depois de ser denunciada por funcionários da creche por ter omitido socorro a uma criança acidentada. A freira teria se negado a emprestar seu carro para que os funcionários levassem a criança ao hospital. A partir dessa denúncia, o MP teria descoberto várias outras irregularidades envolvendo a freira. Pelo menos, 11 crianças denunciaram os maus-tratos.
O advogado Miguel Nicolau Júnior, constituído a defender Anilse no início do processo, não representa mais a freira. Ele não soube informar quem seria o atual advogado. Na época, Anilse disse à Folha que era uma vítima.


