Freira completa dois meses de cadeia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Cláudia Carneiro<BR>Especial para a Folha<BR>De Guarapuava 
Hoje se completam dois meses que a freira Anilse Terezinha Bianchini está presa em Guarapuava, depois de ter sido denunciada pelo Ministério Público por coação de testemunhas, adoção irregular e maus tratos de crianças.
A religiosa dirigia a creche Santa Terezinha onde, segundo denúncias, teria acolhido gestantes e intermediado a entrega dos bebês para adoção. A freira foi detida no dia 24 de junho por estar intimidando as funcionárias da creche, que estariam entre as principais testemunhas de acusação. Depois de passar quase um mês entre a cadeia da 14 Subdivisão Policial e o hospital, irmã Anilse foi instalada em um quarto especial no Corpo de Bombeiros.
Há pouco mais de duas semanas, a juíza da 1 Vara Criminal, Carmen Silvana Zolandeck Mondin, negou o pedido de revogação da prisão preventiva apresentado pela defesa. A juíza acatou parecer do Ministério Público e preferiu deixar a freira detida pelo menos até o final da oitiva das testemunhas de acusação.
Um último depoimento deveria ser ouvido por carta precatória, em Prudentópolis, dia 21 deste mês, mas a testemunha não foi encontrada. Segundo o promotor Cláudio Félix, a Justiça tem 20 dias para localizar, intimar e ouvir a testemunha. Caso contrário, a Promotoria desistirá da convocação.
Um dos advogados da freira entrou com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça em Curitiba. Miguel Nicolau Júnior tinha esperança que o pedido fosse atendido via liminar, o que significaria a libertação da religiosa em 48 horas. No entanto, a 2 Vara Criminal do TJ teria solicitado informações sobre o processo ao fórum de Guarapuava e as encaminhou à Procuradoria Geral da Justiça, que tem cinco dias para emitir parecer.


