Freira admite participação em adoções
Irmã Anilse Bianchini depôs ontem em Guarapuava, assumiu ter entregue crianças para famílias que não podiam ter filhos e defendeu-se das outras acusações
A irmã Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, depôs ontem na 1ª Vara Criminal de Guarapuava e, segundo a promotora Lucimara Rocha Ernuld, que acompanhou o depoimento, assumiu a intermediação ilegal dando aos fatos a conotação interessante à ela. A freira disse que participou das adoções por motivos relevantes, para ajudar os pais que não podiam ter filhos naturais e as crianças, que não teriam boas condições de vida com as mães biológicas.
Durante mais de três horas, a freira apresentou sua defesa sobre as quatro acusações que pesam sobre ela: tortura e constrangimento de crianças, coação de testemunhas, falsificação de documentos e intermediação de adoções feitas irregularmente.
Além da religiosa também foram ouvidos dois casais que adotaram as crianças um deles, acusado de dar falso testemunho para emissão da certidão de nascimento das crianças e uma funcionária da Creche Santa Terezinha, que teria entregado uma das crianças aos pais adotivos.
Sobre as acusações de maus tratos, a religiosa admitiu ter colocado uma máscara de dentista em uma criança de um ano e oito meses, mas alegou que foi somente para brincar com ela, que costumava morder os colegas. Sobre a acusação de ter passado batom em um dos meninos e de tê-lo chamado de menininha, a irmã negou. Freira não usa batom, muito menos numa creche, alega o advogado da irmã, Miguel Nicolau Júnior.
No seu depoimento, a irmã também disse não lembrar se colocou sapato na boca de uma criança conforme uma das denúncias apresentada pelo Ministério Público. Ela disse que talvez tenha falado em fazer isso para uma criança, mas não assumiu o fato, disse a promotora. A freira alegou não saber da existência da investigação e por isso afirma que não teria como coagir as testemunhas.
A juíza da 1ª Vara Criminal Flávia da Costa Vianna Teixeira deve analisar hoje o pedido de relaxamento da prisão de irmã Anilse. Mas a promotora Lucimara acredita que a decisão não será favorável. Isto porque os laudos apresentados pela junta médica que acompanha a freira apontam que ela não precisa mais de cuidados hospitalares. O advogado, por sua vez, acredita que a religiosa será liberada porque a carceragem da 14ª Subdivisão Policial está passando por reformas e não há celas vagas com a acomodação que a irmã necessita.
Depois do depoimento, irmã Anilse Bianchini foi levada novamente para o Hospital Nossa Senhora de Belém. Para evitar a imprensa, ela saiu num carro particular.





