Há seis meses no Brasil visitando diversos movimentos sociais – especialmente os relacionados à luta do homem do campo –, o frei belga Luc Vankrunkelsuem praticamente encerrou suas atividades no País como participante da 15ª Romaria da Terra do Paraná, em Curitiba. Ele volta dentro de uma semana para a Bélgica, quando então dará uma entrevista coletiva à imprensa sobre esta viagem. Quanto ao evento de ontem, mostrou-se satisfeito. ‘‘A romaria foi a síntese destes meses que passei aqui.’’ Para ele, o encontro em Curitiba foi uma boa medida, já que a cidade abriga o ‘‘centro do poder’’ estadual.
Foi curioso para ele ver que entidades diversas se unem em torno de uma mesma questão e, enquanto seguia o trio elétrico até a Pedreira Paulo Leminski, refletiu sobre as lutas variadas a que teve acesso: dos negros, dos sem-terra, dos menores abandonados. Morador da capital Bruxelas, o frei é um lobbista em seu país contra os alimentos transgênicos.
Da temporada que passou aqui deu para estabelecer quatro pontos principais a serem abordados na entrevista à imprensa: a concentração de terras nas mãos de poucos – ‘‘é o problema central do Brasil’’, disse –, a experiência com os movimentos sociais, ‘‘sobretudo agrícola familiar’’; o império da soja que tem rico mercado no Exterior, mas provoca o desmatamento e agora está chegando em Mato Grosso; e por fim a ecologia.
Luc Vankrunkelsuem já começou a escrever um livro a partir dessas vivências que vai se chamar ‘‘Brasil: Um Espelho da Europa’’. A obra fará uma ponderação entre as semelhanças e diferenças entre os países europeus e o Brasil, no que se refere ao aspecto agrícola. Até agora o volume tem 30 páginas escritas. (Z.C.L.)

mockup