UMUARAMA - Os vendedores ambulantes de Umuarama não estão satisfeitos com o movimento nas barracas neste início de ano. As vendas, segundo eles, caíram 70% desde que a prefeitura decidiu abrigar os ambulantes no ‘‘camelódromo’’, construído ao lado da Estação Rodoviária. Desde o último dia 6, prazo final para mudança, nenhuma banca pode funcionar nas ruas do centro da cidade.
O ‘‘camelódromo’’, batizado oficialmente de Centro Popular de Vendas, tem espaço para 82 vendedores. Os boxes, de quatro metros quadrados cada, foram vendidos aos ambulantes que já estavam nas ruas da cidade nos últimos oito meses.
Porém, reclamações existem. ‘‘Hoje, por exemplo, só vendi dois carrinhos a pilha. Se estivesse na rua, acredito que a venda teria sido maior’’, diz Elzina Pires, filha da proprietária de um boxe. A vendedora Leonice Nascimento de Lima também reprova o pequeno fluxo de consumidores no camelódromo. ‘‘Não sei como vamos trazer as pessoas para cᒒ, diz, apontando para a Estação Rodoviária. ‘‘Só vem aqui quem vai viajar. Essas pessoas não compram nada.’’
Leonice diz ter pago R$ 235,00 pela vaga no ‘‘camelódromo’’, além de uma taxa de R$ 40,00 para utensílios e pintura do boxe. ‘‘Todos pagaram esta quantia, mas pensávamos que íamos mudar para cá e vender mais.’’ A única vantagem que a ambulante vê em trabalhar no Centro Popular de Vendas é a comodidade em não ter que transportar a mercadoria todos os dias para casa. ‘‘Você passa o cadeado na porta e pronto.’’
O presidente do Sindicato dos Vendedores Ambulantes de Umuarama, Rui Barbosa, reforça as queixas de queda acentuada nas vendas. Mas, segundo ele, o movimento fraco não se deve tanto ao lugar. ‘‘As pessoas gastam muito em dezembro e não sobra muito no bolso para este mês’’, observa.
No ano passado, a Associação Comercial e Industrial de Umuarama (Aciu) liderou um movimento para retirar os camelôs das ruas. De acordo com a entidade, os camelôs estavam fazendo uma concorrência desleal, principalmente no ramo de brinquedos. A diferença de preços, em alguns casos, passava de 30%.
A solução encontrada foi a construção do camelódromo. Hoje, eles sentem na pele o que é a concorrência, mesmo que seja entre ‘iguais’. As lojinhas com produtos de preço único (R$ 1,99) começam a proliferar em Umuarama. Até a semana passada, já eram quinze. Pelo menos outras cinco podem abrir nos próximos dias. Em dezembro, este tipo de estabelecimento foi o vilão das lojas convencionais, oferecendo produtos fúteis e úteis por poucos trocados.
Um levantamento extra-oficial feito no ano passado pela Aciu calculou em cerca de 200 o número de vendedores ambulantes no centro da cidade. Muitos eram camelôs, desempregados que se tornam compristas e viajam até Salto del Guayrá (100 quilômetros de Umuarama), no Paraguai, para comprar produtos de pouco valor.
Toda semana, os compristas trazem sacolas lotadas de gêneros, a maioria bugigangas. Os vendedores em melhores condições vão até Ciudad del Este, no Paraguai, onde é possível achar mercadorias 30% mais baratas.
A multiplicidade de ‘fornecedores’ torna os preços ao consumidor bastante diferenciados entre uma loja e outra. Um ventilador que num determinado boxe do camelódromo é oferecido por R$ 26 pode sair por apenas R$ 20 ou mesmo R$ 18,00 num boxe vizinho. ‘‘Depende da pechincha’’, ensina uma ambulante.

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