Fraude rouba 1 milhão de litros de água
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sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaRecordeFuncionário mostra ligação que leva água irregularmente para casas Todos os dias, a Sanepar (Companhia de Saneamento Básico do Paraná) perde 1.080.000 litros de água somente em Foz do Iguaçu, em consequência de adulterações nos hidrantes ou ligações clandestinas. Com 231 mil habitantes, o município é considerado a capital estadual das fraudes no sistema. Apenas nos onze primeiros meses deste ano, o prejuízo da companhia somou R$ 127,5 mil.
A perda com as fraudes representa 3% da produção diária de água pela Sanepar em Foz do Iguaçu - 33 milhões de litros. Entre janeiro e novembro, os funcionários da companhia constataram 327 irregularidades em ligações de água em Foz do Iguaçu, o que dá uma média de 1,4 detecção de fraude por dia. Mas os técnicos estimam que esse número possa ser bem maior.
Em Cascavel, cidade do mesmo porte de Foz do Iguaçu, a Sanepar registra um índice de roubo de água 400 vezes menor. Segundo a assessoria de imprensa da estatal, a estimativa é de que sejam desviados por mês 80 mil litros - 2.600 litros por dia. De janeiro até novembro deste ano, a Sanepar descobriu 40 fraudes no sistema em Cascavel - 12% do índice registrado em Foz.
Ney de SouzaCorteFuncionários da Sanepar cortam ligação clandestina de água em bairro
Noventa e cinco por cento das fraudes ocorridas em Foz do Iguaçu acontecem nos hidrômetros (os relógios que medem o consumo). A fraude mais comum, que representa 90% das adulterações, é a introdução de objetos como galhos, arames ou pedras no hidrômetro, que paralisam a marcação do consumo no equipamento.
Outra forma de fraude (5% dos casos) é a inversão dos ponteiros do hidrômetro. Nesse caso, o equipamento também pára de medir o consumo. As ligações clandestinas, feitas diretamente da rede, sem passar pelo hidrômetro, representam 5% das fraudes.
De acordo com a Sanepar, a maioria das fraudes é registrada em casas da classe média ou baixa. A reportagem da Folha acompanhou uma equipe da companhia que fez dois cortes no fornecimento de água, ambas de ligação clandestina. No primeiro caso, no Jardim São Paulo (região leste da cidade), um bairro de classe média baixa, a ligação beneficiava um sobrado com varanda. As pessoas que estavam na casa disseram que o dono havia saído e se recusaram a dar entrevista.
No segundo caso, a ligação clandestina servia duas casas no bairro popular Três Bandeiras (região norte). Segundo os funcionários da Sanepar, a ligação foi feita há cinco anos. A moradora de uma das casas disse que se mudou para o local há três meses e nunca pagou a conta de água (leia entrevista abaixo, ao lado).
Para ter o fornecimento de água restabelecido, os consumidores pagam o valor referente à média histórica de consumo registrada no domicílio e multa. Segundo o gerente regional da Sanepar em Foz do Iguaçu, Edgard Faust Filho, das 327 fraudes constatadas neste ano, 119 já foram solucionadas pelos consumidores. A média de pagamento - entre taxa de consumo e multa - é de R$ 320,00. Esse pagamento já rendeu R$ 75 mil à companhia. Na opinião de Faust Filho, a principal causa das fraudes é a crise econômica.
Com o objetivo de tentar reduzir as fraudes, a Sanepar vai adotar duas estratégias no próximo ano. A primeira serão visitas-surpresa aos domicílios. Hoje, os 11 agentes que atuam em Foz do Iguaçu só detectam problemas nas visitas mensais para a leitura ou em eventuais consertos na rede.
A segunda estratégia será contratar, por R$ 230 mil, uma empresa que fará o rastreamento eletrônico dos 878,5 quilômetros da rede de água na cidade, usando aparelhos importados da Inglaterra. Além de detectar fraudes, o serviço vai permitir a descoberta de vazamentos.


