O corretor de seguros C.L., 42 anos, preso pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) em junho deste ano, pode ter recebido por meio de fraude R$ 3,25 milhões, do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat). L. foi detido na época pela polícia, em balneário Ipanema, em Pontal do Paraná (Litoral), sob suspeita de participar de um esquema em que familiares identificariam um corpo de indigente como de parente para conseguir retirar o dinheiro do Dpvat.
A equipe do Nurce terminou na terça-feira de analisar os mais de dois mil laudos do Instituto Médico Legal (IML), datados entre 2005 e 2008, suspeitos de terem sido alterados pelo esquema. Segundo o delegado operacional do Nurce, que coordena a investigação, Wagner Holtz Merege Filho, em 250 dos laudos investigados ficou confirmado que L. foi o corretor que solicitou o Dpvat.
O delegado informou que cada seguro Dpvat pago gira em torno de R$ 13 mil. "Desses laudos que bateram vamos analisar se teve mesmo alguma fraude em cima", explicou Merege. A polícia deve falar com familiares das pessoas que solicitaram o Dpvat com a ajuda de L. e com o Departamento de Trânsito (Detran). Segundo Merege, esta fase da investigação deve durar mais de 30 dias.
O policial confirmou que muitos dos 250 laudos do IML não foram gerados por acidentes de trânsito, o que demonstraria mais um tipo de fraude: a retirada do Dpvat em razão de outras causas de morte. "Há laudos de pedidos do Dpvat em que pessoas não morreram de acidente de trânsito", confirmou. A FOLHA não conseguiu localizar a defesa de L. O Nurce informou que ele está em liberdade por força de habeas corpus. Além dele, na época foram presos A.P.L.L., 21 anos, e O.L., 61, pai de A.P.L.L., e o funcionário do IML J.C., todos suspeitos de participarem do esquema.

mockup