A Polícia Federal do Paraná vai instaurar inquérito para apurar denúncias sobre empresas estariam aplicando golpe para fraudar a Previdência Social. Segundo as denúncias, as empresas usavam dados falsos para preencher contratos de empregados e, com isso, permitir que eles recebessem o seguro-desemprego com valores mais altos do que os devidos. Além disso, as empresas são suspeitas de não depositarem corretamente o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários. Até o momento, em Londrina, são investigadas quatro empresas. Em Curitiba, o número de pedidos de seguro-desemprego suspeitos passa de 200, segundo nota oficial da Delegacia Regional do Trabalho, divulgada ontem.
O assessor de imprensa da Polícia Federal, em Londrina, Gersonly Rodrigues de Oliveira, explicou que as denúncias chegaram ao órgão através de um ofício remetido pela subdelegacia regional do Ministério do Trabalho. Ele disse que, durante o inquérito, será investigado se os registros dos funcionários são verdadeiros, se a contabilidade das empresas foi feita de forma correta e o motivo do recolhimento do FGTS ser com valor menor ao registrado em carteira.
O chefe de fiscalização da subdelegacia do Ministério do Trabalho, Dorival Silvestre Arantes, afirmou que as suspeitas de fraudes foram identificadas pela direção da Agência do Trabalhador em Londrina e, depois, em Curitiba. Segundo ele, uma das empresas apresentou na agência o pedido de seguro-desemprego para 28 funcionários. Desses, a empresa alegava que 19 eram vendedores externos, com salário fixo de R$ 700 e tempo de serviço, em média, de 25 meses.
Arantes disse que a direção da agência suspeitou porque alguns dos funcionários não tinham o perfil exigido para o cargo. Durante uma entrevista, eles não souberam informar o ramo de atividade e o produto vendido pela empresa. Por causa disso, a Agência do Trabalhador fez levantamento do FGTS depositado e constatou que os depósitos referiam-se a apenas alguns meses e não aos 25 declarados. Os valores recolhidos também eram baseados em um salário mínimo.
Dorival Arantes explicou que, com salários de R$ 700, os funcionários demitidos poderiam receber até cinco parcelas de R$449, o valor máximo do seguro-desemprego. Com o salário mínimo, eles receberiam parcelas desse mesmo valor. Arantes completou que investigações preliminares apontam para irregularidades em, pelo menos, 40 pedidos de seguro-desemprego feitos por essas empresas. De acordo com ele, uma aditoria será aberta identificar outras empresas tentando fraudar o sistema.
Arantes afirmou que durante a instrução do processo, as empresas poderão ser autuadas por não estarem depositando o FGTS. Por cada funcionário irregular, a empresa será multada e, se ficar comprovado que os funcionários sabiam da fraude, tanto eles como o proprietário da empresa e o proprietário do escritório de contabilidade serão indiciados criminalmente.

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