Curitiba - Uma quadrilha especializada na obtenção fraudulenta de benefícios previdenciários foi presa ontem, em Curitiba. Estima-se que desde 2001 o grupo tenha causado prejuízos de R$ 11 milhões aos cofres públicos. A ''Operação Manjedoura'', da Polícia Federal (PF), Força-Tarefa Previdenciária do Paraná e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), teve início em junho. Foram emitidos 19 mandados de prisão para nove suspeitos de integrar a quadrilha (incluindo dois psiquiatras) e 10 pessoas apontadas como beneficiárias do esquema. Destes, 18 estão presos na sede da PF na Capital. O 19º é procurado pela polícia. Em termos de valores, esta é a maior prisão feita este ano no País envolvendo fraude no INSS.
Segundo a PF, o grupo atuava desde 2001 com um escritório de assessoria previdenciária no bairro Santa Felicidade. Os ''clientes'' eram encaminhados aos médicos que emitiam atestados geralmente alegando depressão ou esquizofrenia. Em seguida eles passavam pela perícia do INSS para terem direito a auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. Os médicos envolvidos davam dicas de como os pacientes deveriam se portar na frente dos peritos. Estima-se que aproximadamente mil pessoas de Curitiba e Região Metropolitana conseguiram os benefícios de maneira fraudulenta. Os psiquiatras, ainda de acordo com a polícia, também faziam atestados falsos para dispensa no trabalho.
O INSS suspeitou quando os técnicos detectaram o grande número de laudos emitidos pelos dois médicos. ''As causas apontadas eram enfermidades de incidência rara na medicina mundial, como a esquizofrenia em pessoas adultas. Mas para estes médicos se tornou algo comum'', explica o chefe da Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários no Paraná, Marcos Eduardo Cabello.
Os casos suspeitos passarão por revisão. Também foi realizado o arresto de veículos e o sequestro de um imóvel que teria sido adquirido com o dinheiro da fraude. Ainda não há indícios de envolvimento de funcionários do INSS no esquema. A fraude dos psiquiatras também será encaminhada ao Conselho Regional de Medicina. Os presos serão indiciados por estelionato e formação de quadrilha, crimes sujeitos a penas de até oito anos de reclusão.
Este ano já foram realizadas 25 operações no País envolvendo fraude na Previdência Social, totalizando R$ 56 milhões. A maior parte delas foi descoberta através de denúncias, que podem ser feitas através do telefone 135.

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