Fraternidade e bairro do Vista Bela têm mais adolescentes em Boletins de Ocorrência
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de julho de 2016
Gabriela Nogueira - Redação Bonde 
O relatório do programa de extensão Juventude e Violência: da Violação à Garantia de Direitos, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Londrina (PUC-PR), aponta que o maior número de adolescentes que praticaram atos infracionais em 2013 residiam no bairro Perobinha, no Residencial Vista Bela - Zona Norte -, e no bairro Fraternidade - Zona Leste. O dados foram apresentados em audiência pública na Câmara Municipal de Londrina (CML), na última semana.
As informações foram coletadas a partir dos boletins de ocorrência de 2013 da Delegacia do Adolescente de Londrina. No total, 1.307 adolescentes se envolveram com atos infracionais nesse ano, sendo 44 no Perobinha e 41 no Fraternidade. Em 2010, haviam sido registrados 1.154 envolvidos.
Apesar do maior número de adolescentes em conflito com a lei residirem nesses bairros, os atos infracionais ocorreram com maior frequência no Centro Histórico - Centro - e no Cinco Conjuntos - Zona Norte -, segundo o relatório, bairros "que detêm um fluxo intenso de
pessoas, que podem proporcionar ao adolescente a condição de anonimato e facilidade de
fuga, assim como maior circulação de dinheiro".
O documento ainda apresenta a faixa etária dos adolescentes envolvidos nos atos, a maioria se encontrava entre 15 e 17 anos e tinha escolaridade entre a 5ª a 8ª série do ensino fundamental. Do total de adolescentes, 86% eram do sexo masculino e 14%, do sexo feminino.
Na pesquisa, o tráfico de drogas foi o crime mais cometido pelos adolescentes - 33,33% -, seguido de crimes contra o patrimônio, como furto e dano ao patrimônio público - 28,33%.
O projeto foi contemplado para financiamento pelo Programa de Extensão Universitária (ProExt) 2015 - MEC/Sesu e é uma iniciativa de professores e alunos da UEL e da PUC-PR das áreas de Arquitetura e Urbanismo, Psicologia, Serviço Social, Geografia, Direito, Comunicação, Arte e Educação Física, além de colaboradores externos.
A execução do projeto começou em 2015, mas também reúne dados de outra pesquisa desenvolvida em 2009 e 2010. De acordo com a coordenadora do programa, professora doutora Vera Suguihiro, não há prazo para término das análises. "Este ainda é um relatório parcial porque o programa é um processo contínuo, pretendemos agora nos aprofundar para começar a entender melhor os números e também vamos começar desenvolver ações de prevenção nos bairros Perobinha e Fraternidade para que os adolescentes não sejam atraídos pelo tráfico", conta.
O objetivo da divulgação dos dados é justamente levantar o debate público e suscitar o envolvimento da sociedade no tratamento dos adolescentes. "Na realidade, o adolescente em conflito não tem visibilidade, precisamos desmistificar as ideias que foram construídas de que é mais fácil tratar os casos como de polícia do que como casos de políticas públicas. Precisamos juntar esforços, entender as raízes e não passar a responsabilidade só para os pais e para a polícia, precisamos atuar em conjunto para que a situação não fique mais grave", afirma Suguihiro.
"No tráfico, o adolescente sabe que vai progredir, já as nossas políticas publicas prometem qualificação profissional e, quando o menino é qualificado, sai e encontra as portas fechadas porque ele passou pela delegacia e pelo Cense [Centro de Socioeducação], são políticas pobres para os pobres", argumenta a professora.
O relatório ainda propõe uma série de ações a serem tomadas pelas duas instituições de ensino superior, pela sociedade civil e pelo Estado. Entre elas estão a qualificação e a promoção de ações capazes de gerar visibilidade aos jovens na sociedade e a criação de um sistema compartilhado de informações com os diferentes órgãos responsáveis pelas políticas de atendimento ao adolescente em conflito com a lei.
"Solicitamos que os órgãos se juntem para construirmos uma ideia mais próxima da realidade. Esse relatório por exemplo não levou em conta o número de reincidência dos adolescentes porque elas são registradas como um novo dado nos boletins de ocorrência. Também não levamos em conta dados do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], da Vara da Infância e da Juventude, entre outros órgãos da área, queremos juntar esses setores", explica Suguihiro.


