Uma frase polêmica do governador do Paraná, Roberto Requião, durante a Escolinha de Governo, anteontem, levantou uma questão pouco discutida pela Saúde: o câncer de mama em homens. Para ele, embora hoje a doença também seja masculina, ''deve ser consequência dessas passeatas gays''.
Para a mastologista Isabela Garcia Spironelli, de Londrina, a comparação é ''absurda''. ''A patologia não está ligada de forma alguma à homossexualidade ou ao uso do hormônio feminino'', esclarece a médica, citando que 1% de todos os casos de câncer de mama no País acometem homens.
''Se compararmos com a população feminina, a doença no homem não é tão rara quanto parece, já que 10% das mulheres brasileiras podem desenvolvê-la doença'', relaciona Isabela.
Embora o diagnóstico da doença seja menor no público masculino, não houve redução na mortalidade nos últimos anos, como afirma o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Ricardo Antunes. Para ele, apesar da proporção do câncer de mama em homens ser de um para cada cem mulheres, o risco de morte é significativamente maior, em decorrência da falta de informação e do preconceito. ''Homens não têm o costume de fazer o auto-exame e consultas de rotina, e o diagnóstico acaba sendo feito tardiamente.''
Isabela Spironelli lembra que homens que apresentam problemas na mama já passaram, quase sempre, por pelo menos três médicos diferentes antes de consultar um mastologista. ''Muitas vezes, eles vão ao consultório acompanhados das esposas, bastante constrangidos, por isso precisam de uma atenção especial.''
Para Ricardo Antunes, se a doença for constatada no princípio, as chances de cura são muito maiores. Ele alerta que homens com idade entre 50 e 60 anos devem estar atentos ao histórico familiar, evitar o tabagismo e o álcool e ter uma dieta equilibrada. Fazer o exame de mama regularmente é essencial. ''A companheira também deve estar atenta à saúde do parceiro'', reforça.
Entre os principais sintomas, os médicos destacam crescimento e inchaço da glândula mamária. Esse inchaço pode ser resultante do tumor, porém, não deve ser confundido com a ginecomastia, que é o crescimento anormal da glândula mamária. Outros sintomas de um possível câncer de mama são feridas no mamilo, coceira e nódulos na axila.
''O histórico familiar de câncer de mama ou de ovário pode estar relacionado ao câncer de mama masculino, que remete à mesma mutação genética. A recomendação é que em caso de dúvida, o homem procure o especialista sempre'', ensina a mastologista.

Governo destina recursos para exames
■ Es­ti­ma­ti­va da Se­cre­ta­ria de Saú­de é que ­três mil no­vos ca­sos são diag­nos­ti­ca­dos por ano no Es­ta­do. Em 2008, 680 mu­lhe­res mor­re­ram de cân­cer de ma­ma no Es­ta­do, se­gun­do le­van­ta­men­to do Ins­ti­tu­to Na­cio­nal do Cân­cer (In­ca)
■ Pa­ra­ná vai des­ti­nar R$ 1,1 mi­lhão pa­ra aqui­si­ção de agu­lhas gros­sas e rea­li­za­ção de 9 mil exa­mes de pun­ção
■ Tam­bém se­rão in­ves­ti­dos cer­ca de R$ 900 mil na com­pra de 6 ma­mó­gra­fos com es­te­reo­ta­xia, des­ti­na­dos às ci­da­des de Ma­rin­gá, Foz do Igua­çu, Pa­to Bran­co, Gua­ra­pua­va, Cas­ca­vel e Pon­ta Gros­sa
■ Nes­te ano foi rea­li­za­do um trei­na­men­to com 283 pro­fis­sio­nais pa­ra a uti­li­za­ção do Sis­te­ma de In­for­ma­ção das ­Ações de Con­tro­le do Cân­cer de Ma­ma (Sis­ma­ma) e a ca­pa­ci­ta­ção de 30 ra­dio­lo­gis­tas em ma­mo­gra­fia e Sis­ma­ma, com ­apoio do In­ca
■ Ex­pec­ta­ti­va pa­ra 2009 é que se­jam rea­li­za­das ­mais de 300 mil ma­mo­gra­fias no Es­ta­do, nú­me­ro su­pe­rior às 205 mil ma­mo­gra­fias rea­li­za­das no ano pas­sa­do.

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