Frase de Requião levanta questão sobre doença
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Uma frase polêmica do governador do Paraná, Roberto Requião, durante a Escolinha de Governo, anteontem, levantou uma questão pouco discutida pela Saúde: o câncer de mama em homens. Para ele, embora hoje a doença também seja masculina, ''deve ser consequência dessas passeatas gays''.
Para a mastologista Isabela Garcia Spironelli, de Londrina, a comparação é ''absurda''. ''A patologia não está ligada de forma alguma à homossexualidade ou ao uso do hormônio feminino'', esclarece a médica, citando que 1% de todos os casos de câncer de mama no País acometem homens.
''Se compararmos com a população feminina, a doença no homem não é tão rara quanto parece, já que 10% das mulheres brasileiras podem desenvolvê-la doença'', relaciona Isabela.
Embora o diagnóstico da doença seja menor no público masculino, não houve redução na mortalidade nos últimos anos, como afirma o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Ricardo Antunes. Para ele, apesar da proporção do câncer de mama em homens ser de um para cada cem mulheres, o risco de morte é significativamente maior, em decorrência da falta de informação e do preconceito. ''Homens não têm o costume de fazer o auto-exame e consultas de rotina, e o diagnóstico acaba sendo feito tardiamente.''
Isabela Spironelli lembra que homens que apresentam problemas na mama já passaram, quase sempre, por pelo menos três médicos diferentes antes de consultar um mastologista. ''Muitas vezes, eles vão ao consultório acompanhados das esposas, bastante constrangidos, por isso precisam de uma atenção especial.''
Para Ricardo Antunes, se a doença for constatada no princípio, as chances de cura são muito maiores. Ele alerta que homens com idade entre 50 e 60 anos devem estar atentos ao histórico familiar, evitar o tabagismo e o álcool e ter uma dieta equilibrada. Fazer o exame de mama regularmente é essencial. ''A companheira também deve estar atenta à saúde do parceiro'', reforça.
Entre os principais sintomas, os médicos destacam crescimento e inchaço da glândula mamária. Esse inchaço pode ser resultante do tumor, porém, não deve ser confundido com a ginecomastia, que é o crescimento anormal da glândula mamária. Outros sintomas de um possível câncer de mama são feridas no mamilo, coceira e nódulos na axila.
''O histórico familiar de câncer de mama ou de ovário pode estar relacionado ao câncer de mama masculino, que remete à mesma mutação genética. A recomendação é que em caso de dúvida, o homem procure o especialista sempre'', ensina a mastologista.
Governo destina recursos para exames
■ Estimativa da Secretaria de Saúde é que três mil novos casos são diagnosticados por ano no Estado. Em 2008, 680 mulheres morreram de câncer de mama no Estado, segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca)
■ Paraná vai destinar R$ 1,1 milhão para aquisição de agulhas grossas e realização de 9 mil exames de punção
■ Também serão investidos cerca de R$ 900 mil na compra de 6 mamógrafos com estereotaxia, destinados às cidades de Maringá, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Guarapuava, Cascavel e Ponta Grossa
■ Neste ano foi realizado um treinamento com 283 profissionais para a utilização do Sistema de Informação das Ações de Controle do Câncer de Mama (Sismama) e a capacitação de 30 radiologistas em mamografia e Sismama, com apoio do Inca
■ Expectativa para 2009 é que sejam realizadas mais de 300 mil mamografias no Estado, número superior às 205 mil mamografias realizadas no ano passado.


