Frango viabiliza assentamento no MS
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sábado, 11 de outubro de 1997
Egidio Brizola Campo Grande 
Foto de Izaías Medeiros/Especial para a FolhaFORÇA DA UNIÃOEm mutirão, os moradores da gleba construíram os vinte novos aviários: mais 240 mil aves a cada 45 diasUm projeto implantado há quatro anos no cerrado sul-matogrossense, que combina ações da iniciativa privada e dos governos federal, estadual e municipal, está mostrando que é possível solucionar uma das questões mais agudas enfrentadas pelos assentamentos rurais - a organização e o desenvolvimento da produção econômica. O projeto fica na gleba Campo Verde, município de Terenos (50 km a oeste de Campo Grande), onde famílias de colonos se beneficiam de resultados favoráveis obtidos com a criação industrial de frangos. O assentamento foi regularizado pelo Incra em 1989.
A idéia da parceria em Campo Verde foi da Acauã Indústria Agroavícola/Frango-Vit/Comaves, que instalou no local o primeiro aviário em 1993, para 8 mil frangos, e o segundo, para 11 mil, em 1996. Em seguida foram construídos mais cinco barracões, e agora outros vinte já estão quase finalizando a primeira produção de aves. Apenas estes 20 abrigam 240 mil aves a cada ciclo de 45 dias.
Pela integração, o pequeno produtor constrói o aviário com financiamento do Banco do Brasil, cria os frangos - entregues com 1 dia de vida - sob orientação técnica e sanitária e tem garantia contratada de venda da produção. O dinheiro para a construção vem do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste), administrado pelo Banco do Brasil.
Experiência não falta à Frango-Vit/Comaves. Para abastecer seu frigorífico em Londrina, a empresa mantém uma rede de 170 aviários no sistema integrado, que produzem 300 mil aves por semana, ou 1,2 milhão por mês. E o avanço já está desenhado: a partir de dezembro, com entrada em operação de 60 novas granjas em Londrina, Jataizinho, Ibiporã e Assaí, o sistema crescerá para 220 parceiros, que vão produzir 380 mil aves por semana, ou 1,52 milhão por mês. A carne abastece o mercado interno, países da América do Sul, Japão e do Oriente Médio.
Testada e aprovada, a integração agora norteia o futuro dos ex-sem-terra de Campo Verde. Assim que nos instalamos em Campo Grande, em 1991, já decidimos pela implantação do processo, que é muito viável para o pequeno produtor, aponta o industrial Paulo Ferreira Muniz, da Acauã/Comaves. Segundo Muniz, a indústria brasileira de carnes pode contribuir decisivamente na geração de riqueza no campo a partir de programas semelhantes nos assentamentos. Recursos existem e o Banco do Brasil é excepcional parceiro no negócio, complementa.
O Acauã abate hoje, utilizando apenas um dos seus dois turnos de capacidade, 28 mil aves por dia. A indústria garante o seu abastecimento através de 130 granjas, mas com a entrada em operação dos vinte novos aviários - que vão aprontar as primeiras aves ainda este mês - vai elevar sua produção para 33 mil/dia - um aumento de 18%.
CrescimentoA iniciativa em Mato Grosso do Sul está contribuindo fortemente para o incremento da produção de carne de frango na região Centro-Oeste brasileira (MS, MT, GO e DF): de 1990 a 1996, o setor apresentou crescimento de 1.130%. Durante 1991, quando apenas a Acauã/Frango-Vit produzia, o abate foi de 507 mil aves. Em 1996, a soma dos cinco abatedouros em atividade (Ceval, Frangosul, Avipal, Frango Ouro e Frango-Vit) ultrapassou os 60 milhões de aves abatidas por ano.
O abate diário dos frigoríficos é de 350 mil cabeças por dia, mas a capacidade instalada é para 650 mil, já de olho na meta traçada para 97/98, que prevê crescimento de 60% em relação ao atual volume. A ampliação do fornecimento será garantida pelo avanço da tecnologia - que pode concentrar um número maior de aves alojadas por metro quadrado, indo de 10 para 13 cabeças - e pelo crescimento do número de aviários, dos 814 atuais para 1.240.
Os aviários estão estabelecidos em Campo Grande, Dourados, Sidrolândia, Caarapó e Paranaíba, onde operam os abatedouros. Outros municípios, num raio de 210 Km de cada abatedouro, também contribuem com a criação industrial organizada de aves. Praticamente a metade dos municípios do Mato Grosso do Sul está vinculada ao processo de parceria mantido na avicultura entre empresas e produtores.
Pela integração, os abatedouros de MS fixam 750 famílias nas propriedades rurais, garantindo renda suplementar de 7 salários mínimos a cada família por mês. São gerados 2.500 empregos diretos e outros 5 mil indiretos. O ganho do produtor tem sido na média de R$ 0,13 a R$ 0,16 por cabeça, entregue ao abate, num valor médio para 12 mil aves de R$ 1.600 a R$ 1.800, a cada dois meses. A possibilidade de criação é de 6,5 lotes de 12 mil aves por ano.
Com a modernização do setor, no que diz respeito à semi-climatização, pode-se chegar a 13 a 15 aves por metro quadrado, com ganhos médios de R$ 2.200 para um lote de 15 mil aves, com mortalidade média de 1% a 2% no máximo. A mortalidade gira hoje em torno de 4%. Atualmente se produz no campo, da recepção dos pintinhos de 1 dia até o abate, com valores próximos de R$ 0,60 por quilo. Considera-se como custos posteriores, o abate, a comercialização, os encargos e o transporte, entre outros.
Espaço, disposição, mercado garantido, recursos, tecnologia eficiente de Primeiro Mundo. Tudo isso o setor de carnes de ave possui no Brasil - aponta Muniz. Mas, seu fortalecimento no Mato Grosso do Sul depende de algumas melhorias: estradas, energia elétrica e incentivos fiscais.


