Mário CésarEmpregoLongas filas têm se formado em frente à Francovig, desde o anúnico de novas contratações

Mesmo com o término do contrato de exclusividade, que aconteceu ontem, à meia-noite, a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) continua operando todas as 73 linhas urbanas da Cidade por, pelo menos, 30 dias. Anteontem, o prefeito Antônio Belinati baixou decreto permissionário, determinado que a Francovig operasse 10 linhas da zona sul (o restante continua sob responsabilidade da Grande Londrina), mas a empresa alegou ontem não ter condições de assumir imediatamente estas linhas.
O decreto permissionário vale por tempo indeterminado, até que seja realizada a licitação de 100% das linhas do transporte na área urbana e as empresas escolhidas comecem a operar. Este processo está parado em virtude de duas ações judiciais movidas pela empresa Grande Londrina em agosto e setembro do ano passado.
A diretora-financeira da Francovig, Silvana Francovig, afirmou ontem pela manhã que a empresa terá condições de assumir, gradativamente, as novas linhas, já que necessita de prazo de duas semanas para servir toda a região sul. ‘‘Precisamos de um tempo porque não poderíamos ficar com 300 homens de braços cruzados aguardando essa decisão’’, justificou.
Segundo a diretora, a Francovig tem condições de atender inicialmente duas linhas. A empresa está contratando 300 funcionários, entre cobradores e motoristas, que vão receber salários praticados pela concorrente, a TCGL. Motoristas que hoje ganham R$ 336,00, passarão a receber R$ 576,00.
Ontem pela manhã, cerca de 200 pessoas enfrentavam fila na sede da Francovig em busca de uma vaga na empresa. A contratação de pessoal começou a ser feita na sexta-feira passada e até ontem mais de 500 pessoas haviam passado pelo setor de recursos humanos.
Silvana Francovig disse que ainda estavam recebendo fichas de motoristas, dando preferências àqueles que já exerceram a função na TCGL. ‘‘Estamos contratando, treinando e esse pessoal vai estar em condições de trabalhar amanhã (hoje)’’, disse.
Enquanto a diretora se preocupava com a seleção de pessoal e com a falta de definições da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) sobre linhas, itinerários e horários, o diretor-administrativo Francisco Henrique Francovig acertava em São Paulo os detalhes da frota, que deve passar por adequações e pelo processo de padronização. Os veículos terão ainda de ser vistoriados pela Companhia. A empresa deve aumentar a frota em 58 ônibus. Atualmente tem 55 carros e 200 funcionários.

Empresa afirma que
terá condições de
assumir o serviço
gradativamente


Sobre o valor da tarifa, Silvana Francovig negou pela manhã que a empresa tivesse protocolado pedido de reajuste para R$ 0,60, valor praticado pela Grande Londrina. A empresa, ao pleitear as linhas da zona sul, dizia ter condições de manter a tarifa em R$ 0,55. ‘‘Isso no caso de atendermos junto com a TCGL. Agora, com exclusividade, haverá aumento da quilometragem sem o da demanda’’, observou a diretora.
Ainda pela manhã, a diretora-operacional da Comurb, Lúcia Brandão, esteve reunida com Francisco Francovig e o advogado da empresa. Ela lhe entregou o termo de permissão e os detalhes técnicos sobre as linhas. Diante do anúncio da empresa de que não poderia assumir imediatamente as 10 linhas, a Comurb determinou ontem à tarde que a Grande Londrina continuasse a operar na zona sul por mais 30 dias. ‘‘A Francovig assumirá gradualmente as 10 linhas’’, observa o presidente da Comurb, Cléber Tóffoli.
Ontem, no final da tarde, Cléber Tóffoli esteve reunido com o diretor da TCGL, José Lopes, para entregar o termo de permissão e anunciar a nova medida. Segundo Cléber Tóffoli, o diretor da empresa concordou em permanecer operando as linhas. ‘‘A empresa continuará prestando o serviço’’, garante.
O presidente da Comurb explica que possíveis modificações no itinerário ou horário das linhas a serem assumidas pela Francovig estão sendo estudadas. Mas adianta que as mudanças serão o menos traumáticas possíveis para não prejudicar a população daquela região.
Sobre a tarifa diferenciada (a TCGL cobra R$ 0,60 e a Francovig afirma que terá condições de operar na zona sul cobrando R$ 0,55), Cléber Tóffoli diz que haverá uma câmara de compensação. Lúcia Brandão não concorda com a tarifa diferenciada dentro do sistema de integração. ‘‘Moradores de outros bairros poderão reivindicar o benefício’’, alega.
A Francovig vai operar as seguintes linhas: Roseira, Ouro Branco, Tito Leal, Cafezal, União da Vitória, Perobal, Jamile Dequech, São Miguel, Adriana e Acapulco. Elas representam cerca de 15% do sistema de transporte urbano e totalizam 720 mil passageiros/mês. A Francovig é atual permissionária de 10 das 11 linhas do transporte coletivo da zona rural - a outra é operada pela empresa Nordeste. Nas linhas rurais, a Francovig cobra uma tarifa de R$ 0,50.
(Luka Morais e Lucília Okamura)

mockup