Francovig entra, TCGL não sai, linhas ficam cheias e Comurb quer intervir
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Da Redação 
Mário CésarLado a ladoÔnibus da Francovig e da Grande Londrina no terminal do jardim Acapulco: disputa pelas mesmas linhas surpreende usuáriosNunca se viu tanto ônibus no terminal Acapulco. Nem nas ruas da zona sul. Ônibus das empresas Francovig e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) dividiram ontem as mesmas seis linhas naquela região da Cidade.
A TCGL descumpriu o decreto permissionário do prefeito Antonio Belinati, pelo qual a Francovig deve ser a única responsável por 10 linhas da zona sul da Cidade, até que se realize a licitação de todas as linhas urbanas. O contrato de exclusividade da TCGL terminou no dia 27 de janeiro, mas a licitação do sistema está parada em virtude de ações judiciais.
A Grande Londrina não reconhece a legalidade do decreto e simplesmente continuou executando o serviço ontem.
A Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) vai impedir a operação dos ônibus da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) na zona sul hoje, caso a empresa insista em continuar nas seis linhas urbanas da região, que já vêm sendo operadas pela Francovig. Quem garante é o presidente da Comurb, Cléber Tóffoli.
Para a Comurb, o difícil mesmo foi notificar a TCGL sobre o fato. Tentou-se várias vezes a comunicação pessoal. Também a escrita. Foi até usado o fax. Nada feito.
Foi uma verdadeira história de gato e rato. A primeira tentativa de comunicação foi feita, pessoalmente, pelo presidente da Comurb a três diretores da TCGL, no início da tarde de segunda-feira. A Comurb ainda tentou notificar a empresa no final da tarde, sem conseguir. O diretor Manoel Lopes estaria viajando. Os outros dois diretores, Maria Lopes e José Lopes, estariam trabalhando em outra empresa da família.
Tóffoli conta que, como ninguém na TCGL quis receber a notificação, foram convidadas duas testemunhas para provar que a tentativa da Comurb aconteceu. Já o fax da Grande Londrina, só dava sinal de defeito.
Restou apenas uma forma de notificação oficial: o cartório. A TCGL teria sido avisada ontem, pela via cartorial, de que precisará retirar os ônibus da zona sul.
A tentativa de notificação teve finalmente sucesso, de acordo com o presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, pouco antes das 15 horas de ontem. Se não for cumprido encontraremos formas legais de impedir a operação desses ônibus, disse Tóffoli, sem revelar que formas seriam essas.
Mas, para a Grande Londrina, não existe notificação oficial. Cibele Abdo, que responde pela assessoria de comunicação da TCGL, disse ontem que a empresa manteve os ônibus nas linhas assumidas pela Francovig por não ter sido notificada. A comunicação verbal, segundo ela, não foi considerada. Tem que ser tudo por escrito.
Outra notificação, feita à TCGL ontem pela Comurb, dá um prazo de 24 horas para que a empresa se manifeste oficialmente com relação ao decreto que autoriza a operação da Francovig. A TCGL ainda não assinou o contrato de permissão para atuar em 85% do transporte urbano, menos as 10 linhas da zona sul, operadas pela Francovig. O contrato foi assinado pela Francovig no dia 28 de janeiro, com validade de seis meses. Neste prazo a Prefeitura espera licitar todas as linhas. A Francovig está amparada no decreto, diz Tóffoli. A TCGL tem que se manifestar hoje sob pena de entendermos que há desinteresse em continuar prestando o serviço no transporte.


