Mário CésarLado a ladoÔnibus da Francovig e da Grande Londrina no terminal do jardim Acapulco: disputa pelas mesmas linhas surpreende usuáriosNunca se viu tanto ônibus no terminal Acapulco. Nem nas ruas da zona sul. Ônibus das empresas Francovig e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) dividiram ontem as mesmas seis linhas naquela região da Cidade.
A TCGL descumpriu o decreto permissionário do prefeito Antonio Belinati, pelo qual a Francovig deve ser a única responsável por 10 linhas da zona sul da Cidade, até que se realize a licitação de todas as linhas urbanas. O contrato de exclusividade da TCGL terminou no dia 27 de janeiro, mas a licitação do sistema está parada em virtude de ações judiciais.
A Grande Londrina não reconhece a legalidade do decreto e simplesmente continuou executando o serviço ontem.
A Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) vai impedir a operação dos ônibus da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) na zona sul hoje, caso a empresa insista em continuar nas seis linhas urbanas da região, que já vêm sendo operadas pela Francovig. Quem garante é o presidente da Comurb, Cléber Tóffoli.
Para a Comurb, o difícil mesmo foi notificar a TCGL sobre o fato. Tentou-se várias vezes a comunicação pessoal. Também a escrita. Foi até usado o fax. Nada feito.
Foi uma verdadeira história de gato e rato. A primeira tentativa de comunicação foi feita, pessoalmente, pelo presidente da Comurb a três diretores da TCGL, no início da tarde de segunda-feira. A Comurb ainda tentou notificar a empresa no final da tarde, sem conseguir. O diretor Manoel Lopes estaria viajando. Os outros dois diretores, Maria Lopes e José Lopes, estariam trabalhando em outra empresa da família.
Tóffoli conta que, como ninguém na TCGL quis receber a notificação, foram convidadas duas testemunhas para provar que a tentativa da Comurb aconteceu. Já o fax da Grande Londrina, só dava sinal de defeito.
Restou apenas uma forma de notificação oficial: o cartório. A TCGL teria sido avisada ontem, pela via cartorial, de que precisará retirar os ônibus da zona sul.
A tentativa de notificação teve finalmente sucesso, de acordo com o presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, pouco antes das 15 horas de ontem. ‘‘Se não for cumprido encontraremos formas legais de impedir a operação desses ônibus’’, disse Tóffoli, sem revelar que formas seriam essas.
Mas, para a Grande Londrina, não existe notificação oficial. Cibele Abdo, que responde pela assessoria de comunicação da TCGL, disse ontem que a empresa manteve os ônibus nas linhas assumidas pela Francovig por não ter sido notificada. A comunicação verbal, segundo ela, não foi considerada. ‘‘Tem que ser tudo por escrito.’’
Outra notificação, feita à TCGL ontem pela Comurb, dá um prazo de 24 horas para que a empresa se manifeste oficialmente com relação ao decreto que autoriza a operação da Francovig. A TCGL ainda não assinou o contrato de permissão para atuar em 85% do transporte urbano, menos as 10 linhas da zona sul, operadas pela Francovig. O contrato foi assinado pela Francovig no dia 28 de janeiro, com validade de seis meses. Neste prazo a Prefeitura espera licitar todas as linhas. ‘‘A Francovig está amparada no decreto’’, diz Tóffoli. ‘‘A TCGL tem que se manifestar hoje sob pena de entendermos que há desinteresse em continuar prestando o serviço no transporte.’’

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