Telma Elorza
De Londrina
Todo dia, faça sol ou chuva, ele está lá, naquele centro comercial vazio, localizado no final da Avenida Inglaterra, já às margens da Avenida 10 de Dezembro, zona sul de Londrina. Em troca de cuidar do local, para que os vândalos não façam das suas, têm direito a – apenas – guardar seus materiais de trabalho em uma das lojas vazias. Aos 64 anos, o paraibano Francisco Sebastião de Lima tenta ganhar a vida fabricando balaios, com os bambus que vai buscar a pé – caminhando oito quilômetros ida e volta – sempre que está sem material de trabalho.
‘‘Vender, não vende. Acham caro pagar R$ 10,00 num cesto grande e R$ 5,00 no pequeno. Não sabem o que é trazer estes bambus nas costas... Mas melhor ficar aqui do que em casa sem fazer nada. E como emprego eu não consigo arrumar...’’, explica. Seu Francisco mora em Londrina há 17 anos. Casado, oito filhos que já não moram com ele, hoje sobrevive com ajuda dos filhos. Ainda não conseguiu a aposentadoria. ‘‘Está cada vez mais difícil.’’
Ele começou a fazer balaios e cestaria quando ficou desempregado, há um ano e meio. ‘‘Eu trabalhava numa firma aqui próxima, de guarda noturno. Aí a firma faliu’’, conta. Do trabalho, já conhecia um velhinho que fazia seus cestos, embaixo de uma figueira próxima ao centro comercial. ‘‘Aí eu me interessei e ele acabou me ensinando’’, explica.
Há oito meses, quando estava trabalhando embaixo da figueira, o responsável pelo centro comercial perguntou se não queria fazer os cestos na varanda do local, em troca de cuidar para que a garotada não destruísse as plantas. ‘‘Eu aceitei, claro. E tô aqui, das 7 da manhã às 6 da tarde’’, diz, com orgulho. E tão cedo, acredita, não sai. ‘‘Tá difícil alugar isto aqui.’’
Ali seu Francisco produz sossegado balaios, ‘‘covos’’ (espécie de armadilhas para peixes), cestas e suportes para lamparinas. E não se preocupa se vende ou não, embora um dinheirinho fosse bem-vindo. ‘‘Vou fazendo e guardando, já que isto não estraga nunca. Se não serve para ganhar dinheiro, pelo menos eu me mantenho ocupado’’, afirma.