Fragmentos do cotidiano
Das histórias registradas no livro Como eu vi e vivi, João Henrique Steffen Junior ressalta a de um inusitado parto cigano. Os ciganos não obedeciam as regras hospitalares elementares e chegavam a se instalar nos corredores do Hospital. Steffen recorda-se do marido de uma parturiente que entrou na sala de partos, com calçados sujos, andando de um lado para outro e pediu um copo água. Atendida a solicitação, para espanto de todos, ele tirou o sapato, despejou dentro dele a água, sacudiu e retornou o líquido ao copo. Logo em seguida, deu para sua mulher beber, sendo que minutos depois o filho nasceu.
O Hospitalzinho foi construído graças a doações feitas por inúmeras pessoas. Steffen relata o caso de um jovem que o abordou na rua repentinamente e perguntou: O senhor é lá do Hospitalzinho? Poderia receber esses mil cruzeiros como ajuda? Quarenta e cinco anos mais tarde, correndo no Zerão, o médico cruzou com um senhor cuja fisionomia era familiar. Era o mesmo rapaz da doação dos mil cruzeiros, que contou que aquele dinheiro era fruto de sua primeira gratificação.
Muitas situações nem o acaso explica. Uma cirurgia foi realizada na véspera de Natal, graças a uma verdadeira epopéia. Sem luz elétrica, sem gerador, a única forma de se conseguir realizar a operação foi iluminando o centro cirúrgico com lampião a gás, conseguido em Rolândia. Vim na carroceria da caminhonete, de pé, abraçado a cinco lampiões de pedestal e enfrentando uma poeira terrível. Estava literalmente coberto de terra. Banho tomado, os lampiões limpos da poeira foram colocados ao lado do paciente, e um próximo ao local da incisão. Anestesiamos e operamos à luz bruxuleante.
Outro caso intrigante aos olhos de Steffen foi quando ele atendeu a uma paciente com problemas ginecológicos. A paciente era a quinta esposa de um pastor itinerante. As quatro anteriores haviam morrido de causas não determinadas e a polícia estava intrigada com o caso. O resultado das investigações foi surpreendente para todos. O evangelista pregador era ninfomaníaco, levando a esposa aos carreadores dos cafezais para realizar atos sexuais várias vezes ao dia. Como ele conseguia conciliar as grandezas do Evangelho com sua tremenda obsessão pelo sexo?, questiona Steffen em seu livro. (F.F.)





