Fracionados ganham espaço no comércio
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terça-feira, 23 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os medicamentos são a bola da vez quando se fala em comércio de produtos fracionados. Desde que o governo editou a resolução nº 135, no último mês de maio, uma parcela da população aguarda ansiosa pela chance de comprar nada mais do que a quantidade de remédio suficiente para suas necessidades. Mas o que é novidade nas farmácias, já vem sendo praticado há um bom tempo em outros estabelecimentos. Bares, padarias e quiosques vendem cigarros avulsos e até unidades de cartão telefônico.
Os nomes dos comerciantes que aceitaram dar informações à reportagem foram trocados porque, em tese, a prática é irregular. Dono de uma padaria no Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), seo Osvaldo contou que vende unidades de cartão para telefone público a R$0,15 cada. A idéia não tem mais do que dois anos, e seguramente está ligada à febre dos celulares. ''As pessoas não usam mais tanto orelhão como antigamente, então só precisam do cartão numa eventualidade. Aí, é melhor para elas pagar só o que vão usar'', explica.
Osvaldo conta que empresta o cartão ao cliente, que o utiliza no orelhão localizado em frente ao estabelecimento. Depois, é só conferir quantas unidades foram consumidas. Há, claro, uma margem de lucro para o comerciante. No atacado, um cartão de 40 unidades custa R$4,43. Para o cliente, sairia a partir de R$4,75. ''Fracionando'', o vendedor ganha R$1,57. No final das contas, essa prática acaba substituindo as finadas fichas telefônicas - que o usuário comprava na quantidade que bem entendesse.
''Aí entra a criatividade do povo, que vende em partes algo que foi concebido para se vender inteiro. Não é necessariamente ilegal, pois o vendedor pagou pelo cartão, mas se você vai revender tem toda uma legislação fiscal a cumprir, senão cai na questão da informalidade'', avalia o chefe do Procon em Londrina, Gerson da Silva.
Bem mais antigo e comum é o comércio fracionado - ou ''picado'' - de cigarros. Há comerciantes como Manoel, proprietário de um quiosque de lanches na Área Central de Londrina, que dizem vender cigarros avulsos ''só para os amigos que pedem''. Mas também há quem aproveite a demanda para ganhar mais do que conseguiria com a venda normal. ''Olha que dá um lucro bom. Para mim, é bem melhor do que vender o maço fechado, que me rende só uns 6% por causa de todos os encargos. Com o avulso, o lucro chega a mais de 100%'', revela Sebastião, dono de uma pastelaria.
No perímetro central, os preços do cigarro fracionado variam entre R$0,10 e R$0,15 (para marcas que custam R$1,80) e R$0,20 a R$0,25 (para maços de R$2,50) a unidade. ''Vendo, em média, um maço fracionado por dia. Acho que quem compra mais é quem está querendo parar de fumar'', acredita Sebastião. O auxiliar de escritório Paulo, 28 anos, confirma. ''Não sou fumante inveterado, só gosto de um cigarro na hora do cafezinho. Então compro avulso, porque se levar o maço pra casa 'a patroa fecha o tempo''', comenta.
O chefe do Procon condena a prática quando o assunto é cigarro. ''É irregular porque não oferece segurança ao consumidor. Se o cigarro já é uma droga embalada em condições normais de higiene, imagine sendo manuseado pelo vendedor, que pega em dinheiro o tempo todo'', pondera. Também por razões de higiene, ele não recomenda que o consumidor compre alimentos retirados de bandejas. Silva cita como exemplo pequenos mercados que aceitam vender apenas um pote de iogurte de uma bandeja dupla. ''O comerciante não pode quebrar a bandeja, inclusive porque pode danificar o produto'', completa.


