GOIOERÊ - Cerca de 300 sem-terra tentaram invadir no final de semana a Fazenda São Luís de Rey, em Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão), mas tiveram que se retirar logo em seguida. Segundo eles, o movimento foi recebido com cerca de ‘‘500 tiros’’ para o alto. Assustado, o grupo se retirou e ficou oito horas acampado às margens da PR-317, entre Quarto Centenário e o Rio Piquiri. Depois, seguiu para Rancho Alegre D’Oeste e, no domingo à tarde, acampou em Goioerê.
O grupo de sem-terra, que no total tem 150 famílias e cerca de 500 pessoas, saiu de Ibema (71 quilômetros a leste de Cascavel), onde estava acampado às margens da BR-277, e chegou à Fazenda São Luís de Rey no sábado. Quando a Polícia Militar chegou ao local, a situação estava tranquila. ‘‘O grupo já tinha se retirado da fazenda’’, explica o capitão Davi Faustino. Mesmo assim, ele considerou uma ‘‘vitória’’ a retirada pacífica dos sem-terra das proximidades. ‘‘Eles foram compreensíveis’’.
Sem água na beira da estrada, o grupo acabou acolhido em Rancho Alegre pelo padre Adelino Gonçalves, que é filiado ao PT. Os sem-terra comeram e dormiram no salão paroquial. Eles só saíram de lá no domingo à tarde, depois que o movimento conseguiu do prefeito de Goioerê, José Paulo Novaes (PDT), um local improvisado para acampar: as obras inacabadas da Escola Federal Agrícola, numa área de cerca de 20 alqueires a apenas um quilômetro do perímetro urbano.
De acordo com informações do MST, o grupo vai continuar em Goioerê até resolver a questão da área pretendida. A Fazenda São Luís de Rey pertence a Gerônimo Arlindo Fuganti e, na versão dos sem-terra, a propriedade foi dada como garantia de uma dívida ao Banco do Brasil, que já a teria repassado ao Incra. A presença do grupo seria para ‘‘garantir a área’’. A fazenda tem 2,1 mil hectares, é altamente produtiva, e tem até pista para pousos e decolagens de avião.
‘‘Só não aconteceu uma tragédia porque os sem-terra estavam preparados para não reagir’’, conta o presidente do Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Rancho Alegre D’Oeste, Élcio de Faria. Quem foi até a delegacia registrar queixa, no entanto, foi o representante da fazenda, Paulo Biazi. Ele contou à polícia que a invasão só não se concretizou devido à ‘‘pronta reação’’ dos trabalhadores que moram na fazenda. Ele nega que tenha havido confronto direto.
‘‘Estamos em alerta’’, frisa o delegado Osmar Dechiche. ‘‘Não sabemos o que pode acontecer a partir de agora’’. O delegado admite que houve tiros, mas apenas com a intenção de intimidar os invasores. Os próprios sem-terra contam que os disparos foram para o alto. A PM diz que vai intensificar as rondas da patrulha rural nas proximidades.

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