Fracassa nova tentativa para saída de invasores
Valmir Denardin
Fracassou ontem uma nova tentativa de solução para a retirada do grupo que invadiu, em 11 de janeiro, o Parque Nacional do Iguaçu e reabriu a Estrada do Colono, que liga as regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Em uma reunião à tarde, no prédio da Justiça Federal, em Foz do Iguaçu, o procurador geral da República no Paraná, Sérgio Cruz Arenhardt, não conseguiu convencer um grupo de prefeitos de muncípios às margens do parque a negociar com os invasores a saída do local.
A proposta apresentada por Arenhardt era de que o grupo saísse até que o Ibama conclua a revisão do Plano de Manejo do parque, documento que vai apontar se a estrada poderá ser reaberta ou não. Diante da proposta, os cinco prefeitos presentes à reunião se recusaram a conversar com o procurador.
Arenhardt acabou se reunindo apenas com o advogado Pedro Henrique Xavier, representante da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que defende a reabertura na Justiça. A proposta da Aipopec é de que o tráfego permaneça aberto até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) julguem recursos apresentados pela entidade.
Boatos de que o Exército prepara uma operação de despejo para os próximos dias levou os invasores a reforçar ontem a segurança nos dois pequenos acampamentos montados nos extremos do parque, em Serranópolis do Iguaçu (região Oeste) e Capanema (Sudoeste).
A Folha apurou que o grupo - que até ontem reunia cerca de 250 pessoas -, reforçou a segurança nos acampamentos e prepara uma operação de resistência ao possível despejo. Foram intensificados o sistema de comunicação por rádio e montadas barreiras com pessoas, tratores e máquinas agrícolas nas duas extremidades do trecho de 17,6 quilômetros da estrada que corta o parque. Os invasores também deveriam permanecer em vigília ontem à noite e reforçar os acampamentos com a população da região.
O coronel Floriano Peixoto, comandante do 34º Batalhão de Infantaria Motorizado, sediado em Foz do Iguaçu, negou que o Exército esteja preparando a suposta operação de retirada dos invasores. Segundo ele, para que isso ocorresse, seria necessária uma ordem direta do ministro Zenildo de Lucena.





