A comissão especial da Câmara Municipal de Cascavel que intermediava uma saída pacífica para o impasse no Jardim Gramado, no centro da cidade, cujos terrenos foram ocupados há 18 meses por famílias sem-teto, concluiu atividades sem acordo entre as partes. O impasse envolve 295 famílias e a imobiliária Transcontinental, de São Paulo, dona dos terrenos, a prefeitura que deveria participar da transferência do grupo, e a Polícia Militar (PM), que só não fez o despejo determinado pela Justiça porque havia a perspectiva de acordo.
O vereador Sebastião Dumond (PPB), presidente da comissão, formada por mais dois vereadores, anunciou ontem que as atividades estão encerradas. Quando a área – considerada nobre – foi ocupada, os terrenos estavam tomados pelo matagal. A PM chegou a tentar (no ano passado) a desocupação de alguns imóveis, com apenas 40 policiais que foram rechaçados pelos invasores.
A comissão havia começado a atuar há 40 dias, tendo obtido compromisso informal da PM de não realizar o despejo enquanto houvesse negociações, e da Transcontinental (originada do extinto Banco Sulbrasileiro) de não exigir o apressamento do cumprimento da ordem judicial. A empresa inicialmente se propôs a adquirir e doar uma chácara na periferia da cidade para transferir as famílias. Caberia à prefeitura abrir ruas e caracterizar a chácara como loteamento.
No entanto, a empresa acabou anunciando que pagaria a área em prestações, o que, legalmente, não permitiria sua passagem à prefeitura, que exige a completa ‘‘desoneração’’. A Transcontinental também exigiu que a prefeitura assumisse gastos com transferência (em 10 dias) das famílias, seus pertences e material das casas que seria reaproveitado. Informada de que o município não aceitava as duas condições, ‘‘a empresa não mais negociou e inviabilizou o acordo’’, segundo Sebastião Dumond.
Sílvio Gonçalves, 32 anos, líder dos sem-teto, afirma que as famílias ‘‘simplesmente não têm para onde ir e não aceitam ser jogadas na rua’’, por isso estão dispostas a resistir ao despejo.

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