Foi frustrada ontem a tentativa de professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) de debater a situação do ensino superior no Brasil via Internet, em francês. A idéia era aproveitar o dia de jogo do Brasil na Copa para divulgar na imprensa francesa a atual realidade das universidades brasileiras - a maioria delas paralisada desde o dia 15 de abril.
Para participar da discussão, foram convidados jornalistas franceses, professores brasileiros que dominam a língua francesa e alunos brasileiros que estão na França como bolsistas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Às 9 horas, horário marcado para o início do debate, seis professores da UFPR tentaram começar a discussão, mas não houve retorno por parte dos franceses que estavam no mesmo chat (sala de reuniões na Internet).
Ao perceber a presença de brasileiros no chat, os franceses só se manifestaram sobre o futebol brasileiro, comentando sobre a seleção ou escrevendo mensagens como ‘‘Viva o Brasil!’’ ou ‘‘A França vai ganhar a Copa!’’.
‘‘Tentamos explicar as razões da greve e comentar sobre o sucateamento das universidades, mas eles estavam mais interessados em outros assuntos’’, disse o professor Cláudio da Cunha, do Departamento de Farmacologia da UFPR.
Os professores também enviaram mensagem de protesto ao jornal francês ‘‘Le Monde’’, a jornais brasileiros e a todos os professores que têm endereço eletrônico, e esperam que haja uma repercussão sobre o assunto na imprensa nacional e francesa. Nesta sexta-feira, deve ser feita uma nova tentativa de debate pela Internet, desta vez em português, em um site do CNPq.
Apesar de as aulas terem retornado ao normal em algumas universidades brasileiras, no Paraná os professores decidiram pela manutenção da greve. A paralisação poderá terminar se o projeto de lei que concede gratificações aos professores universitários for aprovado hoje na Câmara dos Deputados. A próxima assembléia da categoria em Curitiba está marcada para sexta-feira.

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