Foz tenta acabar com favelas e ocupações
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Quinta maior cidade do Paraná, Foz do Iguaçu está tentando vencer um de seus principais problemas sociais: a concentração de 12% de sua população em 56 favelas ou ocupações irregulares. São 5.954 famílias, que somam cerca de 30 mil pessoas. A cidade tem 250 mil habitantes.
Cascavel, localizada na mesma região de Foz o Oeste do Estado e com população idêntica, tem apenas 1% da população em favelas. São 500 famílias (2,5 mil pessoas) em cinco aglomerados.
Até agora, a prefeitura retirou 409 famílias das três mais antigas favelas da cidade: Monsenhor Guilherme, Favela da Marinha e Favela do Monjolo. Essas aglomerações ocupam uma faixa ao longo da margem paranaense do Rio Paraná, junto ao centro da cidade. Vinte e oito famílias, que rejeitam a transferência (leia texto nesta página), ainda permanecem nesses locais 27 na Monsenhor Guilherme e uma no Monjolo.
Os ex-favelados estão sendo transferidos para a Cidade Nova, bairro construído pela prefeitura a partir de julho de 98, na região norte da cidade, a 12 quilômetros do centro. Pelo terreno, de 2 milhões de metros quadrados, a prefeitura pagou R$ 2,3 milhões.
A promessa do prefeito Harry Daijó (PPB) era erguer no local o maior projeto habitacional do interior do Paraná, com 4,5 mil casas, até o final de sua gestão, em dezembro próximo. A realidade vai ficar longe da promessa.
A Cidade Nova abriga hoje 1.180 famílias, das quais 770 não moravam em favelas, mas foram beneficiadas por programas habitacionais da prefeitura e do governo do Estado. Além do programa de desfavelamento, o Departamento Municipal de Habitação tem uma lista de espera de 5.232 famílias que aguardam casa própria.
O diretor do departamento, Celso Rios, 38 anos, disse à Folha que o prefeito aposta na reeleição para concluir o projeto. Até o final deste ano, segundo Rios, serão construídas mais 800 casas na Cidade Nova - chegando a 2 mil unidades.
As casas do programa têm entre 36 e 46 metros quadrados e são erguidas pelos próprios beneficiados, depois de receber R$ 4,9 mil para a compra de material e o pagamento da mão-de-obra. O financiamento é pago durante 20 anos, em prestações mensais de R$ 48,000.
A infra-estrutura do núcleo habitacional é deficitária: não há escola e áreas comerciais e a frequência dos ônibus é baixa. Segundo Rios, serão construídas duas escolas no bairro para atender alunos do ensino fundamental (de 1ª a 8ª série). Ele afirmou também que a Câmara Municipal estuda a liberação de áreas para o comércio. Na sexta-feira, a prefeitura inaugurou um posto de saúde no bairro.
Segundo a prefeitura, além de reduzir o número de favelados, o programa habitacional está conseguindo diminuir as invasões de terrenos públicos e privados. O maior número de invasões ocorreu nas últimas duas décadas, principalmente nas duas administrações do ex-prefeito Dobrandino da Silva (PMDB), que governou a cidade de 1985 a 88 e de 93 a 96.
FOZ DO IGUAÇU
56 favelas
5.954 famílias
30 mil pessoas
12% da população
CASCAVEL
5 favelas
500 famílias
2,5 mil famílias
1% da população





