Foz do Iguaçu alcançou uma marca indesejável esta semana ao superar a casa de 100 homicídios só neste ano. Com a morte de uma mulher residente na periferia, ontem, a cidade chegou a 102 assassinatos. Ela morreu a tiros e morava na periferia, duas características comuns das vítimas fatais.
A realidade iguaçuense supera os números das maiores cidades do Paraná – com exceção de Curitiba. Juntas, elas somavam 82 mortes até ontem: Cascavel (27), Ponta Grossa (23) e Maringá (8). Londrina, que de janeiro a março acumulou 24 assassinatos, ainda não fechou os dados referentes a abril, mas informações extra-oficiais indicam sete mortes no mês passado.
Residente no Portal da Foz, Alminda de Almeida Lara dos Santos, 54 anos, foi a última pessoa a ser assassinada. Uma quadrilha invadiu sua casa ontem de madrugada. Os assassinos estavam à procura do filho de Alminda, Nelson André dos Santos, 26 anos. Testemunhas relataram que ela tentou defender o rapaz, mas foi baleada, assim como o jovem, atingido com sete tiros. Nelson está internado em estado grave na UTI do Hospital Santa Casa.
O total de homicídios deste ano em Foz (35 em janeiro, 12 em fevereiro, 34 em março, 18 em abril, 3 em maio) é exatamente o dobro ao registrado no mesmo período de 2000, quando a cidade fechou o período em 51 assassinatos, revela comparativo do Instituto Médico-Legal (IML). O dado indica que a forte tendência de superar o número de assassinatos no ano passado (178).
Representantes de órgãos de segurança avaliam os números com frieza. Segundo o delegado chefe da 6ª Subdivisão Policial (SDP), Luís Gilmar da Silva, 80% das vítimas dos assassinatos tinham antecedentes criminais, frisando que jovens entre 16 e 24 anos representam grande parte dos mortos.
Para o delegado, o índice demonstra que os criminosos ‘‘estão se matando na periferia’’. Ele condiciona a onda de violência à facilidade de comprar armas no Paraguai, fronteira com Foz, e também ao acerto de contas entre bandidos por ‘‘motivos fúteis’’.
O secretário municipal de Cooperação dos Assuntos de Segurança Pública, Honório Olavo Bortolini, avaliou a realidade iguaçuense numa coletiva prestada há duas semanas. ‘‘Ninguém gosta de mortes, mas a maioria das vítimas respondia por práticas ilícitas ou foi condenada por algum crime’’, amenizou.

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