Foz se torna a principal rota do narcotráfico
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Alexandre Palmar<br> De Foz do Iguaçu 
A fronteira do Brasil com Paraguai em Foz do Iguaçu pode ter ocupado o posto de principal rota do tráfico internacional de drogas entre os dois países, superando o volume de narcotráfico via fronteira com Mato Grosso do Sul. A avaliação é do delegado-chefe da Polícia Federal, em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, feita após a apreensão recorde de 12,4 toneladas de maconha anteontem na Estação Aduaneira do Interior (Eadi).
Para Mesquista, o aumento do combate a contravenção na região de Ponta Porã (MS) obrigou os traficantes a buscarem rotas alternativas para trazer a droga produzida em território paraguaio. Segundo ele, uma desses caminhos passaria pela Ponte da Amizade, ligação de Foz a Ciudad del Este. A mudança obrigou a PF a escolher a repressão ao narcotráfico como prioridade no município.
Apesar da escolha, o caminhão vindo de Encarnación (cidade paraguaia distante 320 quilômetros da fronteira) passou sem fiscalização na aduana onde funcionários de quatro órgãos federais trabalham 24 horas por dia (PF, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e Ministério da Agricultura). O motorista Jorge Mendonza chegou a Eadi na sexta-feira, mas foi flagrado e preso somente na segunda-feira pela Polícia Federal.
No ano passado foram apreendidas 3,2 toneladas de maconha em Foz do Iguaçu. Este ano, o volume apreendido da droga está em torno de 20 toneladas.
O valor da maior apreensão de maconha realizada em Foz foi calculado em R$ 600 mil, tendo preço de revenda estimado em R$ 1,8 milhão. A PF aguarda uma autorização da Justiça Federal para incinerar o tóxico. ''A apreensão é fruto de nossas investigações, mas preferimos evitar divulgar os nomes dos envolvidos'', resumiu Mesquita, frisando que o inquérito é sigiloso.
A Receita Federal, responsável pela administração da Eadi, descartou a possibilidade do veículo ter sido liberado sem passar por uma vistoria, caso a PF não tivesse confiscado o entorpecente. Segundo a RF, o caminhão estava num setor denominado canal vermelho no qual todos veículos parados são submetidos a vistoria. O tóxico estava escondido num carregamento de quase 10 toneladas de carvão.


