Foz retoma centro para barrar imigrantes
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de fevereiro de 2001
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
A Secretaria de Ação Social de Foz do Iguaçu retomou o controle de imigrantes que havia sido implantado parcialmente na administração anterior e instalou um centro de triagem na rodoviária da cidade. Chamado de Centro de Apoio ao Imigrante, a tarefa dos fiscais é inibir a chegada de pessoas carentes, que geralmente estão em busca de emprego na cidade. O objetivo, segundo informações da secretaria, é amenizar o crescimento das favelas da cidade. Atualmente, cerca de 50 mil pessoas (18,5% da população) residem em 53 bolsões de pobreza no município.
O centro de triagem está funcionando na rodoviária desde o começo do ano. Segundo o assistente do centro, Luiz Gonzaga Lopes, o trabalho é de orientação para quem não tem parentes ou emprego garantido em Foz que retorne à cidade de origem. Em janeiro, a unidade cadastrou a passagem de 60 pessoas (média de dois por dia). Destas, 11 estavam de mudança embora nem todas com garantias de emprego na região. Segundo informações, a prefeitura pretende instalar, ainda neste semestre, uma segunda unidade de controle no posto de informações turísticas, da BR-277.
Natural de São Paulo (SP), Manoel Messias dos Santos, 35 anos, é um dos aventureiros que não tiveram êxito em Foz. Depois de buscar emprego em São Paulo, Goiás, Maringá e Cascavel, o auxiliar de cozinha desembarcou na fronteira sem um real no bolso.
Ele tentou uma vaga em restaurantes, mas desistiu da procura três dias depois de iniciar a peregrinação (prazo máximo em que pode dormir, tomar café da amanhã e jantar num albergue). Irei voltar para Cascavel, onde deixei minha mulher e uma filha, disse Santos, já com a passagem, de R$ 19,00, paga pela prefeitura.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Foz do Iguaçu e representante do Movimento Nacional pelos Direitos Humanos na cidade, Márcio Rogério de Souza, disse ficou sabendo do centro depois que a informação foi passada pela reportagem da Folha e que vai procurar se informar sobre o funcionamento do sistema de triagem. Mesmo assim, já adiantou que o projeto não pode podar o direito de ir e vir das pessoas, garantidas pela Constituição Federal.


