Com capacidade para atender 1,5 milhão de passageiros por ano, o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, um dos mais modernos e bem equipados do Estado, não consegue atender anualmente mais que 500 mil passageiros. Desde 1989, quando recebeu o maior volume de passageiros, chegando a 635 mil, o aeroporto vem registrando uma queda acentuada no movimento. Em 1993, o aeroporto recebeu apenas 385 mil passageiros e em 1998 a previsão é de que sejam atendidas 500 mil pessoas, ou seja, apenas 33% de sua capacidade total.
Operando com quatro companhias aéreas - Vasp, Varig, Transbrasil e Rio Sul - mas sem nenhum vôo internacional, a crise enfrentada pelo aeroporto de Foz tem várias justificativas. Uma delas é a sua localização, próximo a outros dois aeroportos, o que acaba provocando uma concorrência acirrada. Em Mingua Guazú (25 km de Foz), no Paraguai, está o Aeroporto Internacional Guarani. Em Puerto Iguazú, (23 km de Foz), na Argentina, está o Aeroporto Internacional Iguazú. Juntos, os três aeroportos tem capacidade para 4,5 milhões de passageiros, mas não atende mais do que 750 mil.
O superintendente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Wanderlei José Soldatelli, que administra o aeroporto de Foz, acredita que a queda no setor turístico é um dos principais responsáveis pela baixa demanda de vôos e passageiros no aeroporto local. ‘‘O nosso movimento depende muito do turista. O aeroporto tem todas as condições para operar com sua capacidade total, mas, infelizmente, as empresas aéreas não se preocupam mais com o destino turístico de Foz’’, diz.
Para se ter uma idéia de como o setor turístico interfere no tráfego aéreo, em 1987 Foz do Iguaçu recebeu 1,1 milhão de turistas. A previsão da Foztur (órgão oficial de Turismo no município) para este ano é de 750 mil visitantes.
Soldatelli também ressalta que, apesar da cidade estar distante dos grandes centros comerciais do País, a população de Foz não tem o hábito de viajar de avião, o que, segundo ele, colabora para a diminuição de vôos. ‘‘Nossa região não é emissiva, poucas pessoas utilizam avião para viajar, até porque não há grandes indústrias e empresas que gerem essa demanda’’, destaca.
Uma das grandes expectativas da Infraero é que a partir do ano que vem a TAM passe a operar no aeroporto. A empresa estuda a possibilidade de colocar linhas aéreas com destino aos países do Mercosul e ainda para as grandes capitais brasileiras. ‘‘Temos esperança que com a entrada da TAM aumente o movimento de tráfego aéreo na região do Mercosul’’, prevê Soldatelli.
Para o gerente comercial da Vasp em Foz do Iguaçu, Rodinei Corrêa, a falta de incentivo ao turismo também é responsável pela crise que o aeroporto enfrenta. ‘‘Foz está sendo muito mal divulgada e ainda tem a concorrência com os terminais vizinhos que têm vôos internacionais e mais atrativos’’.
Corrêa também acredita que a crise mundial está atrapalhando muito o movimento no aeroporto. ‘‘Os importadores que sempre foram nossos clientes, estão deixando de viajar. Está todo mundo sem dinheiro’’, explica.
Outro fator que dificulta o volume de tráfego aéreo em Foz, segundo as empresas, é a cota de importação de US$ 150,00 permitida pela Receita Federal. As empresas alegam que dificilmente alguém vai tomar um avião para vir até Ciudad del Este para comprar apenas esse valor em mercadorias.
O taxista Célio José Zimmer, que trabalha há 25 anos no aeroporto, é uma das principais testemunhas de que há cerca de cinco anos o movimento do aeroporto cai cada vez mais. ‘‘Os anos de 97 e 98 estão sendo os piores. Não fazemos mais do que quatro corridas por dia’’, diz. Atualmente, o aeroporto de Foz recebe nove vôos por dia. Em cinco anos, diminuiu em 50% o número de vôos para a cidade, que até 1993 operava com 18 vôos diários.
O Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu tem 25 anos e uma área de 13,5 mil metros quadrados, com pista para pouso e decolagem de sete aeronaves ao mesmo tempo. No ano passado, a Embratur classificou o terminal como excelente, juntamente com os aeroportos de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Preços Viajar para o mesmo destino partindo de um dos três aeroportos da Tríplice Fronteira pode fazer uma boa diferença na hora de pagar a passagem. Quem for a São Paulo, por exemplo, partindo do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, vai pagar R$ 208,00 mais a taxa de embarque de R$ 7,20. Se o passageiro fizer reserva com antecedência, pode conseguir descontos de até 60% e a passagem pode sair por R$ 111,00.
Em Puerto Iguazú, na Argentina, a viagem de ida custa R$ 206,00 mais a taxa de embarque de R$ 18,00. Comprando bilhete de ida e volta o preço cai para R$ 270,00.
Já do Aeroporto Internacional Guarani, em Mingua Guazú, cidade vizinha de Ciudad del Este, no Paraguai, a viagem para São Paulo, de ida, custa R$ 191,00 mais a taxa de embarque de R$ 18,75. Ida e volta custa R$ 261,00.

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