Conforme os registros do Instituto Médico Legal (IML) de Foz do Iguaçu (Oeste do Estado), foram registrados entre 1º de janeiro até ontem 275 crimes contra a vida. O município com mais de 300 mil habitantes registra mais de um homicídio a cada período de 24 horas. Apenas durante o feriado prolongado de Finados, cinco pessoas foram mortas. No ano passado, no mesmo período, o IML contabilizou 238 assassinatos. A Polícia Civil, que usa metodologia diferente para contabilizar estas mortes, analisou que boa parte dos homicídios teria relação com outras modalides de crimes praticados na fronteira.
Os três últimos assassinatos foram entre a noite de domingo e a madrugada de ontem em bairros da periferia. Por volta das 23 horas de domingo, Emerson da Cruz de Oliveira, 20 anos, foi encontrado ferido por diversos tiros em um gramado na Vila ''A''. O Siate ainda tentou fazer o encaminhamento para algum hospital mas a vítima não resistiu. Meia hora depois, o ex-presidiário Emerson da Cruz de Oliveira, 20, foi morto a tiros na ''Favela da Mosca''. A identificação do corpo ainda é extra-oficial porque até o final do dia ainda não havia sido confirmada por familiares. Duas horas mais tarde, Leandro Leonardo de Oliveira Silva, 18 anos, também morreu depois de ser atingido por tiros na avenida Mário Filho, próximo ao Ginásio de Esportes. Nos três casos, a autoria não foi apurada.
O delegado de Homicídios de Foz, Renato Coelho de Jesus, disse que boa parte dos crimes tem ligação com o fato de o município estar em uma região de fronteira. Os acertos de conta entre quadrilhas de contrabandistas de mercadorias e armas, desavenças envolvendo tráfico de drogas, disputas entre grupos rivais que atuam na região, entre outras práticas delituosas, segundo ele, aumentam o número de assassinatos. ''Estamos trabalhando em todos os casos, mas uma de nossas maiores dificuldades é encontrar testemunhas que nos ajudem a esclarecer os crimes'', comentou Jesus. Ele destacou que a ''lei do silêncio'' impera porque as testemunhas têm medo de serem perseguidas ou ameaçadas. O número de casos esclarecidos varia entre 63% e 65%.
A Polícia Civil não contabiliza as lesões seguidas de morte e os latrocínios como homicídios.

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