Foz recebe reforço policial de outros Estados
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Um policial rodoviário federal cujo nome não foi divulgado se apresentou ontem, acompanhado de advogado, na Delegacia da Polícia Federal (PF) de Foz do Iguaçu. Ele é uma das cinco pessoas que ainda não foram presas pela Operação Trânsito Livre, que desmantelou anteontem uma quadrilha de policiais suspeitos de receber propinas para liberar ônibus de sacoleiros da fiscalização. Dos 51 envolvidos detidos até agora, 39 são policiais rodoviários federais. Ontem, a região começou a receber reforço de policiais de outros Estados para manutenção dos postos de fronteira já que mais da metade do efetivo, de 68 homens, encontra-se presa.
Segundo a assessoria de comunicação da PF, espera-se que o outro policial federal foragido apresente-se hoje à corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os policiais são suspeitos de receber de R$ 200 a R$ 500 por ônibus que passava irregularmente pelos postos de fiscalização de Santa Terezinha do Itaipu e Céu Azul.
Pelo esquema, batedores chegavam antes dos ônibus (11 já foram presos), pagavam a propina e forneciam a placa do veículo que passaria sem revista. Depois, os policiais falsificavam documentos para encobrir a ação. A PF ainda não sabe quanto o esquema rendeu, mas primeiras investigações sobre o caso começaram em 1999.
Ontem, 31 policiais rodoviários já haviam assumido postos na região de Foz. Segundo o superintendente em exercício da PRF do Paraná, Gilson Luiz Cortiano, a corporação estava acompanhando as investigações e o remanejamento de policiais foi previsto com antecedência. ''Ações de limpeza ética da instituição são necessárias, por mais doloroso que isso seja'', comenta. O remanejamento é constituído, na maioria, de agentes de outros Estados. Policiais de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul foram chamados.
A partir da segunda-feira, segundo ele, mais 15 policiais serão transferidos para região. ''Temos operações em andamento que não podemos paralisar'', afirma, referindo-se ao reforço tradicional de policiamento de final de ano.
Os policiais presos encontram-se no Corpo de Bombeiros de Foz. Oito homens da força-especial da PRF fazem a segurança do prédio. Cortiano garantiu ontem que os envolvidos serão relocados para outros postos durante o transcorrer do processo criminal. Sobre o elevado número de policiais envolvidos com corrupção, ele comentou que a região da fronteira é atípica para tecer comparações com o resto da corporação.


