Foz prorroga intervenção na
Santa Casa por mais seis meses
Ney de SouzaCuidados intensivosO período neonatal (os 28 primeiros dias de vida) representa 56% das mortes de bebês com idade até um anoValmir Denardin
O prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), assinou ontem decreto que prorroga por seis meses - até 17 de abril do próximo ano - a intervenção municipal na Santa Casa Monsenhor Guilherme, o maior hospital público do Extremo-Oeste do Estado. Quando Daijó decretou a medida, em 16 de abril último, a Santa Casa mantinha apenas 33 dos 220 leitos em funcionamento, já tinha fechado o Pronto-Socorro e acumulava uma dívida de R$ 12 milhões - com fornecedores e a Previdência Social. Administrado por uma irmandade, a previsão era de que o hospital fechasse em poucos meses.
Desde a intervenção, a prefeitura investiu cerca de R$ 2 milhões no hospital. O pronto-socorro foi reaberto, o estoque de medicamentos foi normalizado e - com recursos de um convênio com a Secretaria Estadual da Saúde - iniciou-se uma reforma em uma ala destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
‘‘A intervenção serviu para resolver uma situação que era caótica e a Santa Casa recuperou a credibilidade’’, afirmou ontem o médico Newton Carlos Santos, presidente da Comissão Interventora no hospital.
‘‘Ainda há muita coisa para ser feita, mas a intervenção garantiu o funcionamento e até conseguiu melhorar um pouco o atendimento dos pacientes’’, completou o eletricista Joel de Lima, representante dos usuários do sistema no Conselho Municipal de Saúde.
Durante os seis meses de intervenção, a Santa Casa realizou 22,8 mil atendimentos - uma média mensal de 3,8 mil. O número de pacientes internados subiu de 33, no dia da assinatura do decreto pelo prefeito, para 113, ontem. Segundo Newton Santos, os gastos mensais do hospital somam R$ 380 mil, dos quais R$ 200 mil são repassados pela prefeitura. O restante é proveniente do SUS, de outros convênios e atendimentos particulares.
A reforma na ala de 1.640 metros quadrados destinada ao SUS está orçada em cerca de R$ 224 mil. As obras estão sendo feitas pela Companhia de Desenvolvimento de Foz (Codefi), vinculada à prefeitura. Com essa reforma, o número de leitos deverá passar dos atuais 140 para 220.
A intervenção não garantiu o pagamento da dívida acumulada pela irmandade que administrava a Santa Casa. Agora, a prefeitura quer descobrir uma forma de administrar o hospital e quitar as dívidas. Uma das propostas mais viáveis é entregar a instituição a uma organização social - uma espécie de cooperativa de funcionários.

RAIO X DA SANTA CASA
- Data de inauguração: 10/6/1938
- Início da intervenção: 16/4/1998
- Número de Funcionários: 342
- Número de atendimentos/mês: 3,8 mil
- Área construída: 4,5 mil m2
- Número de leitos hoje: 140
- Previsão de leitos para 99: 220
- Gasto mensal: R$ 380 mil
- Verba da prefeitura: R$ 200 mil
- SUS, convênios e particulares: R$ 180 mil
- Dívida acumulada: R$ 12 milhões
Fonte: Prefeitura de Foz do Iguaçu

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