Silvio VeraVistoriaO diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, checa documentos de pedestre na Ponte da AmizadeA Polícia Federal estima que o número de estrangeiros que vivem em situação irregular na região de Foz do Iguaçu oscile entre 8 e 12 mil pessoas. A avaliação foi feita ontem pelo diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, quando ele chegou à cidade para acompanhar uma blitz do órgão na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai.
Durante a operação - a terceira realizada pela PF desde o início do ano -, foram detidos 104 estrangeiros. Desse total, seis foram deportados para o Paraguai, um permanece preso e deverá ser deportado para o Líbano, 85 foram notificados e autuados e 12 apresentaram documentação e foram liberados. A maioria dos detidos era composta de árabes e orientais.
Segundo Chelotti, o principal objetivo das operações é levantar, até o final deste ano, o número exato de estrangeiros que vivem em situação irregular na fronteira. ‘‘O que queremos é separar aqueles que estão aqui para trabalhar legalmente daqueles que vieram para cometer crimes ou para se esconder de possíveis condenações judiciais em seus países de origem’’, afirmou o delegado. ‘‘Buscaremos regularizar a situação daqueles que precisam de alguma documentação e têm boa vontade de permanecer nessa região trabalhando regularmente.’’
Chelotti anunciou que, quando o levantamento do número de estrangeiros estiver concluído, o Brasil vai pedir aos governos do Paraguai e da Argentina para que façam um recadastramento dos estrangeiros que vivem nesses países. Ele afirmou também que a PF vai pedir aos países de origem dos detidos na Ponte da Amizade informações sobre seus antecendentes criminais.
O objetivo dessa medida é, principalmente, confirmar a possível permanência na Tríplice Fronteira de integrantes de grupos terroristas islâmicos. Chelotti negou, no entanto, que as operações na Ponte da Amizade sejam resultado de pressões da Argentina. Autoridades do país vizinho acreditam que uma facção do grupo terrorista Hezbollah, acusado por dois atentados contra alvos judeus em Buenos Aires, entre 1992 e 1994, estaria agindo em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (Paraguai).
A operação contra a permanência de estrangeiros irregulares na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina foi acertada em dezembro, em Foz do Iguaçu, durante uma reunião entre o ministro da Justiça do Brasil, Íris Rezende, e os ministros do Interior da Argentina, Carlos Corach, e do Paraguai, Miguel Angel Ramírez. ‘‘Não estamos cedendo a pressões de ninguém’’, respondeu Chelotti. Segundo ele, a série de blitze só começou este ano porque, em 97, a Polícia Federal, atravessava dificuldades financeiras e de pessoal.
Em março, a PF inicia um curso de formação de 360 agentes. Ele anunciou que a prioridade do órgão é reforçar o policiamento na região de Foz do Iguaçu e Guaíra. A Delegacia de Foz do Iguaçu, que já chegou a ter 230 policiais, conta hoje com apenas 150 homens.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, José de Jesus, acompanhou a visita de Chelotti a Foz. Ele conversou com juízes da cidade para pedir que, no caso de deportação de estrangeiros, a Justiça decrete imediatamente a prisão dos acusados, para que o processo seja agilizado.

mockup