Um projeto de redução de danos pode ajudar a combater a transmissão de Aids em Foz do Iguaçu. A Câmara Municipal aprovou anteontem, em primeira votação, a distribuição de seringas descartáveis aos usuários de drogas injetáveis. A segunda votação será realizada nesta quarta-feira e deve repetir o resultado da primeira, quando somente um vereador votou contra.
Caso a proposta seja transformada em lei, Foz será o primeiro município do Paraná a adotar o fornecimento de seringas para dependentes químicos, segundo o autor do projeto, vereador Chico Brasileiro (PCdoB). Outros 10 adotam a prática, porém em forma de projeto ou programa. No Brasil, existem 79 cidades que encontraram na iniciativa uma maneira de barrar a transmissão do vírus HIV.
A distribuição do material é uma das etapas da iniciativa. Ela prevê inicialmente a realização de uma campanha educativa sobre as consequências do uso de drogas; depois, a orientação sobre procedimentos para diminuir os riscos do uso. Após essas fases, a prefeitura iniciaria a entrega do produto. A proposta também obrigaria o município a encaminhar os pacientes aos serviços de saúde para tratar a dependência e a fornecer camisinhas a eles.
Para convencer os colegas, o vereador argumentou durante a sessão que os usuários de drogas injetáveis correspondem a 19,3% dos casos de Aids no Brasil. Conforme ele, 32% dos soropositivos do Paraná foram contaminados através de seringas compartilhadas com outros dependentes. O projeto de redução de danos acabaria com a troca do material.
Segundo Brasileiro, ‘‘se o projeto virar lei, ele vai romper com o preconceito e a resistência em tratar o problema dos dependentes químicos. As pessoas devem assumir a causa dentro da saúde pública, com seriedade’’.
A coordenadora do projeto Redução de Danos, do Núcleo de Ação Solidária a Aids (Nasa), Rosa Maria Lima, disse que a entidade já prepara um pesquisa para mapear os dependentes em Foz, pois ainda não há um estudo sobre o problema. ‘‘A partir da distribuição será possível prevenir a Aids e inclusive as hepatites tipo B e C’’, reforçou.
Outro dado favorável a proposta do vereador foi o relato da experiência na cidade de Glasgow (Escócia), que adotou a distribuição de seringas e conseguiu diminuir a contaminação a menos de 5% no total de usuários.

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