Foz não faz transplantes e registra pouca doação
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domingo, 11 de janeiro de 1998
Foz do Iguaçu 
Em Foz do Iguaçu não são realizados transplantes. Mas é feito o trabalho de captação, investigação, preparo de órgãos e, ainda, o acompanhamento dos pacientes. Os transplantes não são realizados por questões operacionais: não há infra-estrutura hospitalar adequada. A Santa Casa Monsenhor Guilherme estuda a possibilidade de fazer transplantes de rim ainda neste ano.
Os pacientes de Foz que necessitam de transplante são encaminhados para Pato Branco ou Curitiba. Na lista de espera de transplantes de rins, que é única no Estado, cerca de 60 pacientes de Foz aguardam a doação de órgãos.
Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Cristina Vonglehe, o índice de doadores em Foz do Iguaçu é muito pequeno. A região é bastante endêmica. Principalmente em hepatite, diz. De 1989 até 1997, apenas 25 doações de rins puderam ser viabilizadas clinicamente pela Santa Casa.
O médico Marcelo Augusto Gonçalves explica que, apesar de Foz do Iguaçu ter um trânsito violento e alto índice de mortes com armas, poucos pessoas têm os órgãos aproveitados. Perdemos mais órgãos por falta de condições para transplante do que por negação da família. Também perdemos muitos doadores que fazem parte de grupo de risco.
Gonçalves afirma ainda que a política de transplante é muita complexa e deveria ser aperfeiçoada. Não basta criar uma lei. Ela é boa, mas falta todo o resto. Da forma como foi imposta, a lei conseguiu tirar o ato de amor, grandeza e despreendimento que as pessoas tinham no momento da doação. Quebrou essa relação. Eu acho que dificilmente vai ser retirado um órgão de alguém sem o consentimento da família.
O médico também alerta que o governo incentiva a doação de orgãos, mas não oferece condições adequadas para que o paciente transplantado possa sobreviver. Dificilmente o transplantado consegue a medicação que necessita. Não adianta o governo querer que todo mundo doe os órgãos se ele não oferece condições para que o transplantado sobreviva. O medicamento é muito caro e o Estado não oferece o suficiente para todos. Tem gente que faz o transplante e depois não consegue o remédio necessário para se manter.


