Foz já registra 184 homicídios no ano
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terça-feira, 03 de setembro de 2002
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Foz do Iguaçu acumulou nos oito primeiros meses 184 homicídios, número 14% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (161). A cidade caminha para bater mais uma vez seu recorde de assassinatos.
Com a execução a tiros do mecânico Luis Carlos Machado, 45, agosto fechou com 24 assassinatos. Numa eventual manutenção da porcentagem, a marca subiria para 277 assassinatos. Em 2001, ocorreram 243 homicídios. Em 2000, foram 180, segundo estudo do Instituto Médico Legal (IML).
Os crimes atingem principalmente os mais pobres, moradores da periferia, mas também faz vítimas nas classes média e alta. Além disso, ocorrem com frequência aos finais de semana. Os saldo dos dois últimos, por exemplo, somam dez homicídios.
O quadro é ainda mais preocupante se comparado com outras cidades. Curitiba, com uma população seis vezes superior a de Foz, totaliza até agora 259 assassinatos. Cascavel, com mesmo porte populacional de Foz, 36 casos. Já Maringá contabiliza sete, Londrina 92 e Ponta Grossa 29.
Autoridades policiais como o delegado-chefe da 6 Subdivisão Policial (SDP), Hamilton Cordeiro da Paz Júnior, e o comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-corornel Nelson Casarolli, têm opiniões parecidas para explicar a onda de crimes.
Eles atribuem as mortes à guerra de gangues envolvidas com narcotráfico e roubo, contrabando de cigarros e à facilidade de comprar armas na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai, Argentina). O alto número de desempregados também é apontado como uma das causas para a violência urbana.
Essas condições teriam prejudicado a força-tarefa, criada em 2001. A união das policiais Militar, Federal, Civil, Rodoviária e Guarda Municipal conseguiu frear as ocorrências policiais, porém tem pouca eficácia em conter mortes violentas.
''Outra causa é o uso de drogas por parte da juventude, desempregada. Quando sob efeito de entorpecente e em turma, qualquer discussão é motivo para matar os adversários'', afirma Cordeiro. Segundo ele, o número de homicídios neste ano é de 174, destes 77 casos foram solucionados ''de março, quando assumi o cargo, até agosto''.


