Foz evitará exageros em obras
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Montezuma Cruz 
As obras da futura administração de Foz do Iguaçu deverão apresentar menor porte e garantir benefícios sociais diretos à população de aproximadamente 250 mil habitantes. Com essa perspectiva, o ex-presidente da Urbanização de Curitiba S/A, Carlos Ceneviva, iniciou esta semana o planejamento da cidade para os próximos quatro anos.
Contratado pelo prefeito e vice eleitos, Harry Daijó (PPB) e Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), o urbanista terá entre suas principais missões consolidar o turismo como referência internacional e a revisão dos projetos viários superdimensionados. Vamos usar o dinheiro de forma desconcentrada e mais produtiva, prometeu.
No orçamento de 97, em discussão na Câmara de Vereadores, viação, obras públicas e urbanismo estão contemplados com R$ 31,7 milhões. Nos mapas em estudo, o crescimento desordenado aparece como um dos maiores desafios. Há problemas ambientais e de moradia. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas morem em habitações subumanas.
Um grande viaduto, por exemplo, deverá ser minuciosamente analisado, como explica Ceneviva. Isso para evitar equívocos como ocorreu em Bogotá (capital colombiana), que tem cerca de 7 milhões de habitantes e viadutos de sobra. Ceneviva, Daijó e Mac Donald analisarão prós e contras do projeto do viaduto para o cruzamento das avenidas República Argentina e Paraná.
Foz tem uma taxa de crescimento populacional de 3% anuais, 1% superior ao de Curitiba, e continua recebendo migrantes de várias regiões do País. As invasões de áreas urbanas continuam e o favelamento espalhou-se em 40 pontos dos seus principais bairros.
O planejamento em discussão considerará a necessidade de se adotar a política estadual no setor. Segundo Ceneviva, o modelo das vilas rurais poderá ser adotado.
Ele ressalta a importância desse aspecto, lembrando tratar-se de compromisso de campanha de Daijó e Mac Donald. Temos hoje a oportunidade de compartilhar e repassar experiências urbanas, executando obras simples e de baixo custo. Ceneviva pretende adequar a integração do sistema de transporte ao momento econômico, explorando a localização estratégica de Foz e as suas atrações naturais.
O urbanista conversará com autoridades paraguaias e argentinas fronteiriças, na busca de um trabalho conjunto, especialmente para melhorar as pontes internacionais da Amizade (Foz-Ciudad del Este) e Tancredo Neves (Foz-Puerto Iguazú). Serão apreciadas sugestões sobre segurança e saúde nessas áreas.


