Um sistema de transporte de deficientes físicos que usam cadeiras de rodas em ônibus equipados com elevadores, lançado com estardalhaço pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, há quase quatro meses, ainda não começou a funcionar por falta de canaletas de acesso aos pontos de embarque e desembarque.
A Folha apurou que, dos quatro veículos que possuem o equipamento, dois permanecem recolhidos nas garagens das empresas e os outros dois circulam como ônibus convencionais, sem cumprir sua função inicial. Não há levantamento oficial, mas entidades do setor estimam que Foz do Iguaçu tenha cerca de mil portadores de deficiência física. A cidade possui 240 mil habitantes.
A adaptação de ônibus para o transporte de deficientes físicos é uma exigência da lei municipal número 1.821, aprovada pela Câmara Municipal em 1993. Com cinco anos de atraso, no ano passado a prefeitura exigiu que as quatro empresas que operam o serviço de transporte coletivo na cidade adaptassem um de seus veículos para cumprir a lei.
Cada empresa gastou cerca de R$ 7,5 mil para fazer as modificações. Na porta central dos veículos, foram instalados elevadores. Nesse sistema, quando o veículo estaciona no ponto o cobrador aciona o elevador. O equipamento, que possui cinto de segurança, desce até o nível da calçada, recolhe a cadeira de rodas do deficiente e depois sobe até o nível do piso do ônibus.
Para que o sistema funcione, é necessário o rebaixamento das calçadas até o nível da rua, para que a cadeira de rodas chegue com facilidade ao ponto de ônibus. No lançamento do programa, em 4 de outubro do ano passado, a Foztrans (empresa municipal que gerencia o sistema), anunciou que essas pequenas obras seriam feitas pela prefeitura até o final daquele mês. Porém, nenhuma canaleta foi construída. ‘‘A prefeitura obrigou as empresas a se adaptarem à lei, mas não cumpriu sua parte’’, disse o empresário Sérgio Beltrame, sócio da empresa Irmãos Rafagnin e vereador pelo PSDB. Segundo ele, o ônibus equipado da empresa circulou durante 30 dias ‘‘sem utilidade’’ e depois foi recolhido ao pátio.
O veículo da Transbalan também permanece na garagem e os das outras duas empresas - Itaipu e Transportes Salto de Pirapora (TSP) - foram ‘‘desviados’’ para linhas convencionais, sem utilizar o elevador para deficientes. Pelo projeto, os quatro veículos deveriam circular nas quatro linhas de maior movimento de passageiros: Três Lagoas, Vila C, Porto Meira e São Francisco. Todas essas linhas cortam o centro da cidade.

mockup