Foz e Guaíra são portas ilegais de armas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de janeiro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu e Guaíra são as duas cidades paranaenses consideradas pontos de entrada de armas ilegais pela Polícia Federal (PF). Um levantamento apontou 17 pontos usados pelos traficantes de armas, sendo oito na fronteira com o Paraguai, cinco com a Bolívia, dois com o Uruguai, um com a Argentina e outro com a Colômbia.
O levantamento da PF apontou também o Porto de Paranaguá como ponto vulnerável para entrada de armamento, bem como os portos de Santos, em São Paulo, e de Sepetiba, no Rio de Janeiro. Segundo o delegado da PF de Paranaguá, Jorge Luis Fayad Nazario, a vulnerabilidade do porto é reconhecida e, por esse motivo, ele recebe atenção especial tanto da polícia como da Receita Federal, mas até hoje não foram identificados carregamentos de armas ilegais no porto.
De acordo com o delegado chefe da PF de Guaíra, Erico Saconato, a grande quantidade de armas que entra no Brasil pelo município está relacionada com a facilidade em adquirir o produto no país da fronteira. "A cidade de Salto del Guairá (na divisa com Guaíra) tem muitas lojas de armas que vendem o produto sem nenhum impedimento. A legislação do Paraguai também não restringe calibre e o preço é bem mais baixo", explica. Uma pistola 9 mm chega a ser vendida, na China, por apenas U$ 10.
Segundo Saconato, brasileiros são proibidos, por lei, de importar armamento. O produto adquirido legalmente, com documentação e registro, no país vizinho passa a ser contrabando ao atravessar a fronteira. "As lojas de lá recebem produtos do Leste Europeu, China, Estados Unidos, Argentina na caixa, com número de série. E podem ser encontradas armas de todos os calibres, mesmo armamento pesado. Mas tem também o chamado armeiro, que vende no mercado negro", afirma.
A entrada na cidade acontece, quase sempre, pelo Rio Paraná. "É um trabalho difícil. Ao contrário da droga que é mais facilmente percebida pelo cheiro, só é possível perceber a arma com uma vistoria. Hoje já são treinados cachorros para farejar uma arma, mas ainda não trabalhamos com essa estratégia aqui. Então tem que ser feito um trabalho de inteligência", diz Saconato.
Em Foz de Iguaçu, o delegado chefe da PF, José Carlos Calazani, aponta dois caminhos para a entrada do contrabando de armas. "Ou elas entram pela aduana, na Ponte da Amizade, onde a maior dificuldade é pela grande quantidade de pessoas que passam por ali diariamente. O outro caminho é pelo Rio Paraná e o Lago de Itaipu, onde a dificuldade é a dimensão do lugar", aponta.
Calazani explica que o trabalho de combate a esse tipo de contrabando na fronteira é feito em duas frentes. "Temos a ação ostensiva tanto na Ponte da Amizade, em conjunto com a Receita Federal, quanto no rio e no lago, onde lanchas blindadas da Delegacia Especial de Polícia Marítima fazem a patrulha. A segunda frente é um trabalho de médio e longo prazo de inteligência para desmantelar quadrilhas especializadas neste tipo de tráfico". Somente no ano passado, 8 mil munições foram apreendidas em Foz de Iguaçu.
De acordo com Saconato, a grande maioria dos traficantes de armas da região que são as chamadas "mulas" -pessoas pagas para fazer a travessia do material e levar a um destino específico. "No ano passado, prendemos um idoso carregando 14 pistolas e dois fuzis que seriam levados para o Rio de Janeiro. Em geral, são pessoas que só fazem isso".
Calazani diz que o perfil depende da quantidade de arma transportada. "Quando é em pequena quantidade, em geral são mulas. Já as maiores apreensões têm uma grande organização criminosa envolvida", conta.


