Dois municípios paranaenses - Guaíra e Foz do Iguaçu - lideram um preocupante ranking divulgado ontem pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O levantamento, feito a partir dos números de mortes de 1996 a 2008 fornecidos pelo Ministério da Saúde e oriundos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), aponta que as duas cidades, localizadas na fronteira com o Paraguai, estão no topo da lista das 50 que apresentam as maiores taxas médias anuais de homicídios por arma de fogo.
O estudo técnico realizado pela CNM ainda fez uma análise da evolução das taxas deste tipo de homicídio por estado, revelando que o Paraná está inserido em um grupo de 13 onde há um crescimento constante na prática de crimes com armas. Acompanham o Paraná nesta relação: Alagoas, Pará, Bahia, Paraíba, Goiás, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Amazonas, Maranhão, Santa Catarina e Piauí.
As notícias também não são boas quando as atenções recaem para as capitais que apresentam crescimento progressivo das taxas de homicídios por arma de fogo. Curitiba aparece entre as que tiveram os mais significativos e constantes aumentos, ao lado de Maceió, Porto Velho, João Pessoa, Salvador, Porto Alegre, São Luis e Fortaleza. ''Esse crescimento mostra que em tais capitais impera a precariedade de políticas públicas de combate ao crime'', ressalta a pesquisa.
O levantamento, que analisou as taxas e números de vítimas antes e depois da Lei do Desamarmamento, aponta que em 10 anos (1999 a 2008) foram registradas 478.369 mortes em decorrência de homicídios no Brasil. Desse total, 70% (332.795) foram praticadas com arma de fogo. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, as estatísticas oficiais mostram que os Estados Unidos, mesmo sendo um país com alta criminalidade e com os maiores índices de homicídios entre os países desenvolvidos, têm neste tipo de crime o menos frequente do país.
O estudo remete a trabalhos que mostram que, depois dos Estados Unidos, o Brasil é o segundo maior produtor de armas leves no Ocidente, o que nos dá, por consequência, um dos maiores índices de homicídios por armas de fogo do mundo. Perdemos apenas para a Venezuela, segundo comparativos mais recentes. ''O descontrole da situação é alarmante, configurando uma corrida armamentista, em que o Brasil ocupa o primeiro lugar da América Latina no ranking de tráfico de armas'', diz o estudo.
Uma das conclusões do documento é que ''o tão aclamado estatuto do desarmamento foi mais uma lei inócua, que conseguiu tirar de circulação uma quantidade de armas legais, mas não passou perto ao menos da tentativa de lidar com o tráfico de armas ilegais''.
A reportagem tentou repercutir os números da pesquisa com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), mas a delegada de Homicídios de Curitiba, Vanessa Alice, designada para comentar o assunto, apenas confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que 90% dos homicídios da Capital são praticados com arma de fogo.

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