Foz é considerado área de alto risco de malária
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segunda-feira, 08 de novembro de 2004
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba - Um estudo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde entre os anos 1997 e 1999 e que foi entregue à Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, mostra que no Paraná, a região mais perigosa para se contrair malária é a que margeia o Rio Paraná e, sobretudo, o Lago de Itaipu. Naquela região foi encontrada a maioria dos mosquitos transmissores da doença entre os 94.004 capturados. O estudo continua sendo feito no Estado, sobretudo para mapear o comportamento do vetor.
Segundo o coordenador estadual de pesquisas em entomologia médica, Allan Martins da Silva, as alterações ambientais, principalmente com a construção e funcionamento das hidrelétricas, são responsáveis pela expansão de algumas espécies de mosquito. ''A construção do lago dá condições para que se desenvolva, em razão das água paradas ou quase paradas'', disse. Mas o Estado não corre risco de que a doença se transforme em endêmica, como em algumas regiões do Norte do País, embora possa haver alguns surtos.
Este ano o Paraná registrou apenas cinco casos autóctones (contraídos no próprio Estado), sendo todas em Foz do Iguaçu, onde está instalada a maior hidrelétrica do Estado. Além destes, foram registrados outros 122 casos contraídos em outras localidades, sobretudo em Rondônia e no Paraguai. No Paraná, foram identificadas quatro das cinco espécies consideradas mais importantes entre os vetores da malária, como o anofelino darlingi, que é o principal transmissor da doença na América do Sul, por ser uma espécie que vive mais próximo dos domicílios.
Entre as espécies mais importantes, também foram encontrados a albitarsis, a cruzii e a bellator. Apesar de não ter muita importância epidemiológica, a espécie mais verificada no Estado é a triannulatus. ''Todos esses mosquitos são constituintes da fauna nativa do Estado'', acentuou Silva. Segundo ele, na região de Curitiba os mosquitos transmissores da malária não têm muita importância, em razão da variação climática, que não permite uma frequência da espécie.
Os novos estudos que vêm sendo desenvolvidos pela secretaria têm o intuito de monitorar doenças como febre amarela, encefalites, dengue e malária, conhecendo as tendências epidemiológicas de cada região. ''É fundamental o conhecimento da fauna de mosquitos desses ecossistemas antrópicos para que possam propor medidas de controle cada vez mais eficientes'', diz o pesquisador.


