Ney de SouzaContra o AedesMutirões de limpeza ‘‘varrem’’ os bairros e o centro de Foz do Iguaçu, destruindo focos do mosquito O número de casos de dengue está triplicando a cada semana em todo o Estado. Já são 120 casos confirmados no Paraná, 97 só em Foz do Iguaçu, onde a transmissão está fora de controle. A Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu confirmou ontem o primeiro caso de dengue em Santa Rosa, no Paraguai, na região da fronteira. Os governos do Paraguai e Argentina devem começar nos próximos dias um trabalho conjunto para combater a doença.
Em Foz do Iguaçu, todos os casos são autóctones, ou seja, transmitidos no local. A Fundação Nacional de Saúde (FNS) registrou 533 casos suspeitos de dengue até a semana passada e 43 confirmados. Em apenas sete dias este número subiu para 97 e já são 602 suspeitos.
Também há um registro de um caso autóctone de dengue em Maringá. Em Curitiba, já foram registrados seis casos de dengue, todos importados, e, em Londrina, cinco casos, quatro de procedência ignorada. Foram confirmadas ocorrências em Irati, Teixeira Soares, Guarapuava, Santa Terezinha de Itaipu, Cascavel, Nova Cantu, Cianorte, Arapongas, Apucarana, Jandaia do Sul e Santo Antonio da Platina.
A Secretaria Estadual da Saúde está fazendo um levantamento semanal para acompanhar a evolução da doença, que progride geometricamente no Estado. A equipe está em alerta há um mês, quando já havia 16 casos registrados no Estado, pois durante todo o ano passado foram apenas 10 registros de dengue. O maior temor é que o Paraná volte a ter uma epidemia da doença como aconteceu em 1995, com mais de 3 mil casos, e em 1996, com 1,1 mil ocorrências.
Segundo Mariângela Galvão Simão, diretora da Vigilância e Epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde, a maior preocupação em Foz do Iguaçu é quanto à ocorrência de casos de dengue hemorrágica. ‘‘Em 1996 houve um grande número de casos de dengue no município e, se as pessoas afetadas forem contaminadas pelo vírus tipo 2, pode ocorrer a dengue hemorrágica’’, explica.
Na próxima sexta-feira começa o treinamento de agentes de saúde em Foz para o diagnóstico precoce de eventuais casos de dengue hemorrágica, que é fatal. Foram encontrados focos do Aedes aegypti em todos os bairros e no centro da cidade. O índice da presença do mosquito varia entre 7% e 17%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tolera índice de até 1%.
Os vasos de plantas e flores são os principais locais onde foram detectadas larvas do Aedes aegypti, com incidência de 38,65%, seguido de garrafas, latas e vasilhas plásticas com 30,72%. Os mutirões de limpeza da cidade estão sendo realizados diariamente em todas os bairros e centro. Também está sendo aplicado larvicida em caixas d’água, calhas e cisternas.
Segundo o coordenador do Plano de Erradicação da Dengue no Paraná, Silvio Alexandre Brandt, a situação em Foz é preocupante, mas ainda é possível controlar a doença. ‘‘Os casos são espalhados e por isso ainda se pode controlar a proliferação do mosquito. Os mutirões são suficientes para prevenir o aumento de casos’’, afirmou.

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