Foz desocupará mais de mil túmulos
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaMaioria dos túmulos é de crianças ou natimortos, cujas famílias já deixaram a cidadeO abandono de cerca de 10% dos túmulos do Cemitério São João Batista, o maior e mais antigo de Foz do Iguaçu, está levando a empresa que administra o local a promover o despejo dos restos mortais dos inadimplentes. Dentro de quatro meses, serão retirados os ossos de mil sepulturas que não recebem manutenção e das quais não são pagas as taxas de administração há pelo menos cinco anos.
Sílvio Luís Muller, gerente da empresa Techagaú - que administra os seis cemitérios de Foz do Iguaçu -, informou que os ossos retirados dos túmulos serão colocados em sacos plásticos que serão etiquetados e ficarão depositados, durante dez anos, no ossário geral do cemitério. Durante esse período, as famílias desses mortos poderão resgatar os ossos para sepultá-los em novos túmulos. Para isso, elas terão que pagar as taxas atrasadas. Passados dez anos, os ossos serão incinerados.
A retirada dos ossos de túmulos abandonados é permitida pela lei municipal 1.347, de 31 de julho de 1987. Essa lei estabelece que a retirada pode ser feita a partir de três anos após constatado o abandono. Mas esse será o primeiro despejo a ocorrer na cidade. Segundo Muller, o trabalho começará já na próxima semana, após o Dia de Finados, e deverá durar cerca de quatro meses.
A taxa anual de manutenção de uma sepultura nos cemitérios de Foz do Iguaçu é de R$ 13,00. O problema do abandono atinge principalmente o Cemitério São João Batista, onde cerca de 1.000 dos 10.000 túmulos não recebem qualquer cuidado há anos. De acordo com o gerente da empresa administradora, a maioria dos túmulos é de crianças. Boa parte são natimortos, cujas famílias já se mudaram da cidade, afirmou Muller.
Na opinião do chefe da Divisão de Serviços Funerários da prefeitura, Edilson Novaes, a construção da hidrelétrica de Itaipu pode ser a principal causa do grande número de túmulos abandonados nos cemitérios da cidade. Muitas famílias se mudaram depois da conclusão da obra, deixando aqui seus parentes mortos, disse. No auge de sua construção, entre 1979 e 1981, Itaipu empregou entre 37.000 e 40.000 trabalhadores.
Além de abrir espaço para novos túmulos, a demolição das sepulturas abandonadas vai permitir melhora na circulação no Cemitério São João Batista. Segundo Muller, até há poucos anos os túmulos eram construídos fora de alinhamento, o que dificulta a divisão do cemitério em quadras. As famílias interessadas em regularizar a situação desses túmulos devem procurar o cemitério ou telefonar para o número (045) 523-4661 até a próxima semana.


