Foz consome carne sem inspeção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de março de 2002
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - O fechamento do único abatedouro legalizado em Foz do Iguaçu resultou no serviço clandestino na cidade. Perto de 30% da carne consumida no município não passa por inspeção sanitária, denuncia o empresário Claodemir Balotin, ex-diretor do Frigboi Ltda, fechado em outubro do ano passado, pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
O fim das atividades do frigorífico tem levado estabelecimentos a vender carne abatida em chácaras, sítios e outras propriedades rurais, onde os animais são mortos de forma improvisada e sem condições de higiene. Em alguns casos, os abatedores não utilizam luvas e lavam a carne com água de rio, afirma Balotin.
Outra alternativa encontrada pelos revendedores é a carne do Paraguai, cujas autoridades sanitárias também enfrentam dificuldades em controlar o abate de bois. Fiscais do Ministério da Agricultura apreendem com frequência carne clandestina e sem documentação em carros e caminhões que cruzam a Ponte da Amizade.
A população iguaçuense consome em média 18 toneladas de carne bovina e 4,8 toneladas de carne suína diariamente. Parte dela não recebe nenhum tipo de cuidado, estando sujeita a todo tipo de problema, alerta Balotin.
Segundo ele, existem pelo menos 30 pontos de abate clandestino na região. Além de Foz, o Frigoi Ltda prestava serviços para Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Missal, Santa Helena e Itaipulândia.
Técnicos do Serviço de Inspeção da Seab interditaram o Frigboi Ltda sob a justificativa de falta de higiene, licença sanitária, alvará e autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O imóvel era arrendado, mas, após a interdição, a prefeitura decidiu lançar uma licitação para definir quem administrará o empreendimento. O edital deve ser publicado nos próximos dias.


