Foz do Iguaçu O derrame de moedas falsas de um real na fronteira colocou em alerta estabelecimentos comerciais, consumidores, polícias e entidades de classe de Foz do Iguaçu. Com receio de ficar no prejuízo, iguaçuenses têm rejeitado a moedas, sem muitas vezes distinguir, com clareza, as verdadeiras das falsas. As falsificadas estariam, inclusive, em municípios do Extremo-Oeste.
Ontem, fiscais do Procon percorreram pontos comerciais para explicar aos empresários e consumidores como é possível reconhecer a diferença. Desde o fim de dezembro, quando foram identificadas as primeiras imitações, a Delegacia da Polícia Federal já apreendeu ou recebeu pouco mais de 700 unidades.
A Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi) convocou seus 781 sócios e representantes de bancos para participar de uma reunião com a Polícia Federal na segunda-feira. ''Temos que conhecer as características da moeda falsa. Antes de recusá-la o comerciante deve tentar identificá-la'', afirma o vice-presidente de Serviços da Acifi, Roni Temp.
A preocupação é justificável. No comércio é possível encontrar cartazes recusando-a ou comunicando sua aceitação mediante checagem, que pode ''levar alguns minutos''. O cartaz é visto em locais como supermercados, lanchonetes, postos de gasolina, lojas de R$ 1,99 e em ônibus coletivo. Umas das empresas de transporte ameaça descontar o valor do prejuízo do salário do cobrador.
O delegado-executivo da Polícia Federal, Marcos Antonio Farias, alerta, no entanto, que a recusa depende da circunstância. ''A lei do crime contra a economia popular diz que o comerciante não pode recusar a venda para quem tem condições de pronto pagamento. Diante da suspeita, deve ser chamada a força policial para fazer a distinção'', explica.
A diferença entre verdadeiras e as falsas produzidas a partir de uma matriz do Banco Central, de 1994 pode ser vista em alguns detalhes. A falsa tem cunhagem indefinida, é mais leve, as bordas não são salientes, a oxidação é fosca e a esfinge é um pouco indefinida, assim como a letra ''A'' na palavra Real. A letra ''A'' também está mais próxima da letra ''E'' em relação ao descrito na autêntica.
O artigo 289 do Código Penal determina pena de três a 12 anos de reclusão, mais multa, para quem fabricar, alterar moeda metálica ou cédula no País ou no exterior. Quem as recebeu de boa-fé, porém depois as repassou, também é penalizado: seis meses a dois ano de prisão, mais multa.

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