Foz do Iguaçu - O movimento do turismo em Foz do Iguaçu caiu quase 17% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2001. Os reflexos da queda são o fechamento de empresas voltadas aos turistas, demissões no segmento, considerado a principal indústria da cidade, além de uma crise econômica em efeito cascata.
O índice é baseado na visitas ao Parque Nacional do Iguaçu, o ''termômetro'' do turismo iguaçuense (a maioria dos turistas que chega ao município passa pela reserva). As Cataratas do Iguaçu receberam 347 mil pessoas no primeiro semestre de 2001; no semestre passado foram 288 mil vistas.
A porcentagem, se mantida até o fim do ano, representará uma considerável piora em relação aos primeiros semestres dos dois anos anteriores. Em 2000, a redução anual foi inferior a 1%, enquanto 2001, chegou em 3%. Caso o quadro agrave, a taxa pode bater o recorde negativo de 1991, quando houve uma baixa de 21%.
A decadência pode ser avaliada também nas visitas a Itaipu Binacional e no fluxo de passageiros na rodoviária e no aeroporto (ver quadros). ''O turismo nacional e internacional estão em crise. E nós estamos vivendo a maior crise dos últimos 30 anos'', avalia o secretário municipal de turismo, Neuso Rafagnin.
Especialistas no setor atribuem o quadro negativo à convulsão sócio-econômica iniciada em dezembro na Argentina, principal ''exportador'' de turistas para fronteira. Antes da depressão, os argentinos representavam 30% dos visitantes, hoje não passam de 20%, conforme pesquisa da Cataratas do Iguaçu S/A, responsável exploração do parque.
Outro agravante é imagem negativa na mídia, que tem colocado a cidade a segunda maior colônia árabe do País como abrigo de terroristas. Desde ao atentado aos EUA, em setembro, somente dezembro e março não tiveram declínio em comparação ao mês equivalente do ano anterior.
A refração, entretanto, é antiga. Desde 1995, a visitação está em decadência exceto 1999. ''O problema foi falta de planejamento por parte das autoridades, pois os problemas eram previsíveis. Imprevisível foi só o 11 de setembro'', critica Jackson Lima, jornalista especializado em turismo.
O caos na Ponte da Amizade e os assassinatos no município também ajudam a manchar a imagem turística do município. Em 2001, aconteceram 243 homicídios, um recorde na história de Foz. Outro motivo para o queda de turistas, porém em menor escala, é o sumiço dos sacoleiros. Uma pequena parte deles, além de fazer compras no Paraguai, visita os pontos turísticos da cidade.

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