As fotos expostas pela Secretaria de Transportes e Pelotão de Trânsito da Polícia Militar na Praça Raposo Tavares para a Semana de Trânsito, em Maringá, agridem as pessoas. São cenas de acidentes, que mostram veículos destruídos e muitos corpos, exibindo inclusive detalhes que chocam até os mais acostumados com atendimento a acidentes. No total, são mais de 100 fotos, algumas bem antigas e, com certeza, de outras regiões. As que mostram corpos seriam dispensáveis, pelo menos em uma praça pública.
Algumas, ampliadas, mostram pessoas presas nas ferragens de veículos acidentados sem parte do corpo. Outras, caídas no chão em poças de sangue e com parte da cabeça ou membros dilacerados. As cenas são chocantes e podem até educar. Não dá para acreditar, no entanto, que uma pessoa que abusa da velocidade, ou do álcool, antes de dirigir, como prega a campanha, pare para apreciar as fotos. Os que realmente deveriam ver tais cenas estão em alguma rua ou estrada abusando da velocidade e não têm tempo para visitar a exposição.
A grande maioria das pessoas que passa pela praça onde está sendo desenvolvida a Semana de Trânsito é de usuários do transporte coletivo. Alguns não devem nem saber dirigir um veículo. São pedestres e ciclistas, sim, também alvo da campanha, mas não merecem ver certos detalhes. O correto seria um álbum com as fotos ser exibido a todos os motoristas e condutores de motocicletas que cometem abusos no trânsito.
Mas as fotos estão lá em vários painéis para quem quiser ver. E o que mais preocupa é a presença de crianças no meio dos visitantes. Algumas chegam a ter dificuldade de alcançar a altura das fotos para ver melhor a cena. Todas querem apreciar os detalhes. Alguns pais chegam a erguer os filhos e chamar a atenção deles para os detalhes. ''Olha os miolos dele espalhados pelo chão, filho.''
Outros tentam até identificar alguém retratado nas fotos ou dão opinião de onde e quando aconteceu o acidente. ''Esse eu vi, foi lá na Avenida Colombo, num sábado de tarde.'' A exposição não parece o modo mais correto de ensinar as crianças que o trânsito é violento. Elas sabem disso e devem aprender a unicamente respeitar as regras e as leis de trânsito, o suficiente para evitar milhares de cenas como as mostradas na praça de Maringá.

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