Dimitri do Valle
De Curitiba
Desde ontem cenas que revelaram uma das facetas mais cruéis da história da humanidade povoam o hall de entrada da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. São 20 painéis que mostram o genocídio provocado pelos nazistas contra a comunidade judaica na Europa. O evento lembra os 60 anos do início da Segunda Guerra Mundial e foi montado por alunos e professores do curso de História da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), com o apoio da direção da biblioteca que cedeu o espaço para a exposição.
O coordenador da mostra, professor Sérgio Feldmann, conta que a exibição do material fotográfico representa uma análise geral sobre a perseguição contra minorias étnicas durante o século 20. ‘‘O milênio está terminando e é importante fazer uma reflexão sobre a violência organizada e a banalização do mal que reinaram neste século’’, comenta. A exposição reúne também informações sobre assassinatos em massa cometidos contra outros povos, como os curdos, armênios, ciganos, vietnamitas e biafrenses.
Feldmann menciona que ao relatar casos de genocídios contra diferentes povos, a exposição abre o debate sobre a intolerância étnica e religiosa que afeta a estabilidade de várias nações. ‘‘A violência contra minorias étnicas não é apenas uma questão judaica’’, diz o professor universitário. Grande parte do material fotográfico usado na exposição, que vai até o dia 25 de setembro, faz parte do acervo do Museu Yad Vashem, de Jerusalém, que é considerado o centro mundial de pesquisa do Holocausto. Dados oficiais indicam que 6,5 milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial.
As cenas de morte que integram a mostra foram registradas pelos próprios oficiais e soldados do exército nazista e militares das forças aliadas, que libertaram os sobreviventes dos campos de concentração. São imagens chocantes que mostram prisioneiros judeus sendo fuzilados e enforcados. As fotos dos ‘‘campos da morte’’ mostram ainda pilhas de cadáveres carbonizados. Apesar de ser aberta ao público em geral, o professor Sérgio Feldmann, que se especializou em história judaica, afirma que é preciso informar as novas gerações sobre os acontecimentos da primeira metade do século 20.
‘‘Creio que a gente precisa cutucar sempre em cima dessa juventude. Acreditamos que a única maneira de evitar a repetição das atrocidades é a formação de uma consciência social na população’’, observa Sérgio Feldmann. Além de fotografias e textos, está sendo programada entre os dias 20 e 23 deste mês a exibição de documentários e filmes sobre o anti-semitismo durante a Segunda Guerra.

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