Curitiba - Se a vida do fotógrafo paranaense José Eugênio de Souza virasse filme, provavelmente ela seria o quarto capítulo da trilogia americana ''Duro de Matar''. Na data em que a sociedade reflete sobre a morte, o sempre bem-humorado Zé Eugênio prefere comemorar as batalhas que travou e venceu contra a ''indesejada das gentes''.
Aos 73 anos, Zé Eugênio já passou por poucas e boas: dois acidentes de carro, um acidente de avião e uma embolia pulmonar que lhe deixou um ano e oito meses sem poder andar ou falar. A habilidade em driblar a morte faz com que ele até brinque com os acidentes menores. ''Comparado com os outros, as batidas de carro foram só sustinhos''.
Para o fotógrafo aposentado, o episódio mais traumático foi um acidente no final do governo José Richa (1983-1986). Zé Eugênio fazia fotos da região metropolitana de Curitiba em um monomotor quando o piloto notou que o motor estava falhando. ''Achei que fosse algo normal, mas quando tentamos pousar no Bacacheri e a barriga do avião resvalou nos eucaliptos, fiquei preocupado. Depois não deu tempo de pensar em mais nada, já foi aquele impacto violento'', lembra. ''Caímos em uma casa e infelizmente perdemos um colega no acidente''.
Os ferimentos não foram poucos: Zé Eugênio quebrou a perna, o tornozelo, três costelas, lesionou o fígado e ainda teve várias concussões na face e na cabeça. Ainda nos destroços do avião, o fotógrafo recorda que pensou que não iria sobreviver. ''Na hora pensei: 'Não é que chegou minha vez?' Fiquei calmo, sem me desesperar. Só depois, ao pensar na minha filha caçula, que ainda era uma criança, é que pensei que não podia morrer naquela hora''.
Apesar dos danos, Zé Eugênio saiu do hospital em apenas 22 dias. Porém, meses depois, foi acometido por uma embolia pulmonar. ''Essa sim quase me levou desse mundo'', acredita. Segundo ele, os médicos acreditavam que ele não teriam mais de um mês de vida. ''Na época, um médico me falou que apesar da medicina e dos remédios me ajudarem, no fundo a recuperação ia depender só de mim. Aí eu pensei: 'Ah, é? Então pode deixar'. E estou aqui até hoje''.
Diferente de outras pessoas que passaram por traumas semelhantes, Zé Eugênio afirma que não se tornou mais religioso após a experiência. ''As pessoas me dizem que eu não morri porque Deus não quis, porque ele está olhando por mim. Bom, se ele estiver olhando é até melhor, mas eu tenho fé é em mim mesmo e vou continuar fazendo minha parte'', brinca.

mockup